23.2.15

Oscar 2015

Esse ano eu tinha expectativas com o Neil Patrick Harris (NPH para os íntimos), ele é engraçado, sabe cantar e dançar e já participou bem em outras cerimônias. Acontece que NPH é muito broadway e o número inicial foi até bom, mas só gostei mesmo quando o Jack Black interferiu.

Até mantive a esperança, mas antes da primeira hora já dava para ver que NPH não ia segurar a onda. As piadas estavam muito sem graça. Nem o Steve Carell conseguiu salvar um momento vergonha alheia do NPH. Ele tentou uma piada com Birdman aparecendo de cueca e tudo mas ficou parecendo idéia roubada do apresentador da Spirit Awards que aconteceu semana passada.

O Adam Levine cantou a minha música candidata preferida, Lost Stars, mas desafinou tanto que se fosse ele ia para o The Voice com vergonha. A apresentação musical da música do filme do Lego foi ótima, mas a de Glory, do filme Selma, levou a platéia as lágrimas.

Teve uma homenagem bacana aos 50 anos da Noviça Rebelde com, wait for it.... Lady Gaga cantando. E Julie Andrews apareceu!

Fora isso nada demais aconteceu. Zzzzzzzzzzzz

Os vestidos causaram no red carpet mas o oscar de meme da noite foi para Lady Gaga e suas luvas de forno/limpeza. (Se bem que no meio da cerimônia apareceu outro meme maravilhoso com a Meryl Streep)



Depois do Bradley Cooper, o mais bonito era o Miles Teller. Um filme com os dois por favor. E um beijo para o Chris Evans: barbado e lindo.


Então vamos a premiação de fato.

O ótimo Birdman levou: melhor filme, melhor fotografia, roteiro original e direção para o mexicano Alejandro Gonzlaez Iñarritu. Justíssimo!

O lindo Grande Hotel Budapeste levou os Oscars artísticos: figurino, maquiagem, desenho de produção e trilha sonora.

O fofo Eddie Redmanye ganhou o Oscar de melhor ator por A Teoria de Tudo. Barbada da noite.

Julianne Moore finalmente levou o seu Oscar para casa pelo filme Still Alice. Outra barbada.

J.K Simmons levou melhor ator coadjuvante pelo professor linha dura de Whiplash. E Whiplash levou melhor mixagem de som (claro, é um filme sobre um baterista de jazz) e, para surpresa de todos, também levou o de edição.

Patricia Arquette levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por Boyhood. Eu não acho que ela fez nada diferente do que fez em Medium (série de TV), mas o discurso dela foi ótimo - a Meryl Streep aplaudiu de pé.

Aliás a Meryl Streep mostrou como é que se faz uma apresentação de In Memoriam.



Interestelar levou o Oscar de melhor efeitos especiais. Ok, é um filme no espaço, mas Planeta dos Macacos tem efeitos muito melhores.

Animação foi para Big Hero 6. Não vi. O polonês Ida foi o melhor filme estrangeiro. Também não vi. Outro que não vi foi o vencedor de melhor documentário: CitizenFour.

Glory, de Selma, levou melhor música. Claro.

American Sniper levou edição de som. Se bem que eu não sei a diferença entre mixagem e edição de som, mas foi merecido de qualquer jeito.

Imitation Game, sobre o Alan Turing, levou melhor roteiro adaptado. Merecido. E com outro discurso que emocionou: "Stay weird. Stay different."

E com essa dica do roteirista de Imitation Game termino o post desse Oscar da depressão. Ano que vem tem mais.


PS. Começando já uma campanha para Amy Pohler e Tina Fey apresentarem o Oscar ano que vem.

16.2.15

Enquanto isso no Carnaval...


Esse ano resolvi me dedicar um pouco ao carnaval local. Como eu disse no outro post, Fortaleza não é conhecida como cidade carnavalesca mas isso está mudando.

Depois de um pré-carnaval intenso chegou a vez do reinado oficial do Momo. No sábado fui ver o que acontecia no Aterrinho da Praia de Iracema onde tinha um palco armado e o Criolo ia se apresentar. Não sabia quem era o Criolo, mas descobri que se tratava de um rapper e achei o show dele bom. De carnaval não tinha nada, era um hip hop com um pouco de reggae e letras com rimas que as vezes me fizeram rir (favela com nutella) mas animou as (muitas) pessoas que estavam ali.

areia lotada para o criolo

Domingo fui no bloco Sanatório Geral. Esse bloco é bacana porque é o único na cidade onde as pessoas se dedicam as fantasias e tem muita coisa legal. É carnaval com famílias. O aglomerado é numa praça pequena, arborizada com uma banda animando com músicas de carnaval (de marchinhas a frevo). Depois de umas duas horas de aquecimento a banda sai pelas ruas do bairro, mas esse ano tinha tanta gente que várias pessoas ficaram na pracinha esperando a banda voltar.

pacman e fantasminhas 
secos e molhados
the flash com colete de transito
lagarta de fogo
com a boa morte 
esqueleto carregando seu isopor
istar uós. adoro fantasias em grupo!
carneirinho, macaquinho e gatinho. fofos.
orange is the new black
I'm going to swing from the chandelier....

De tarde peguei a bicicleta e fui até o Mercado dos Pinhões porque fiquei sabendo que tinha outro bloco. As músicas eram menos carnaval e mais MPB (de Roberto Carlos a Chitãozinho e irmão). Estava cheio, o fim de tarde bonito e várias pessoas que estavam no bloco da manhã esticaram para o da tarde.

carnaval pedalando
fim de tarde no domingo de carnaval

Hoje aproveitei o silêncio total das redondezas. Amanhã ainda tem carnaval.

14.2.15

Analisando a música: Take Me To Church (Hozier)

O Grammy desse ano foi uma fossa só, as apresentações foram tão sonolentas que parecia tudo música ambiente de elevador. Até Happy foi feita numa versão unhappy. (Deve ter sido porque ano passado foi animado demais com o Daft Punk.) Quem ganhou a maioria dos prêmios da noite foi o Sam Smith com a sua chatinha Stay With Me.

A melhor apresentação da noite (depois da Kirsten Wiig fazendo a coreografia de Chandelier) foi o Hozier com a Annie Lennox cantando Take Me To Church e I Put A Spell On You.

Confesso que até então eu não sabia quem era Hozier nem tinha escutado Take Me to Church.

O Hozier é um cantor irlandês e lançou essa música em 2013, mas para o resto do mundo só em 2014. Gostei do Hozier.

Aí essa semana apareceu um video feito pelo fotografo David LaChapelle com essa música e o bailarino ucraniano Sergei Polunin (uma espécie de bad boy do ballet) fazendo uma coreografia muito expressiva. É tudo muito bonito: a fotografia do video, iluminação, coreografia, bailarino e música.

Aí eu fiquei mais curiosa ainda para saber sobre o que é Take Me To Church. Afinal porque o Hozier quer tanto ir para a igreja?

Hozier disse numa entrevista que "A música é sobre afirma-se e recuperar a sua humanidade através de um ato de amor. É das as costas para uma coisa teórica, algo intangível, e escolher amar algo que é tangível e real - que pode ser experimentado.... Mas não é um ataque a fé. Vindo da Irlanda claro que existe uma ressaca cultural a partir da influência da igreja. É muita gente andando com peso no coração e decepção e isso passa de geração em geração... A música é sobre isso - escolher um amor que vale a pena amar." (filosofou)

Como Losing My Religion, Take Me To Church não é sobre religião de fato. A música do R.E.M. é sobre obsessão, essa música do Hozier é sobre amor, sexo, e como a pessoa amada pode ser uma religião.

My lover's got humor
She's the giggle at a funeral
Knows everybody's disapproval
I should have worshipped her sooner
If the heavens ever did speak
She is the last true mouthpiece
Every Sunday's getting more bleak
A fresh poison each week
"We were born sick", you heard them say it
My church offers no absolutes
She tells me "worship in the bedroom"
The only heaven I'll be sent to
Is when I'm alone with you
I was born sick, but I love it
Command me to be well
Amen

Hozier começa a música admirando o humor de sua amada. Ela ri em funerais (quem nunca?) e sabe que os outros não aprovam e ele deveria ter a venerado mais cedo. Ela é a boca do paraíso, sua religião e igreja. A cada domingo que fica mais sombrio vem um veneno novo a cada semana significa que ele está cansado do que os outros estão dizendo e pregando.
A sua igreja não oferece absolutos e a adoração é feita no quarto, na cama (ui, ui, ui). E o único paraíso para o qual ele vai é quando está só com ela (me lembrou Locked out of Heaven do Bruno Mars, que também é sobre sexo).
"Eu nasci doente, mas adoro", doente na opinião dos outros que acham que ele e sua amante são imperfeitos. "Me faça ficar bem". 50 tons de Amen.

Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of you lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good god, let me give you my life

"Então me leva para essa igreja já! Vou te adorar como um cachorro no santuário das suas mentiras." (essa frase é genial! cheia de sentimento) "Vou te contar meus pecados e você pode afiar sua faca. Me ofereça aquela morte imortal" (Hozier filosofou que se apaixonar era uma morte, a morte de tudo. é observar a si mesmo morrer de forma maravilhosa, num sentido morte-renascimento. Hozier, amigo, a gente sabe que morte imortal é um orgasmo.)
E aí ele só quer saber de se entregar.

If I'm a pagan of the good times
My lover's the sunlight
To keep the Goddess on my side
She demands a sacrifice
To drain the whole sea
Get something shiny
Something meaty for the main course
That's a fine looking high horse
What you got in the stable?
We've a lot of starving faithful
That looks tasty
That looks plenty
This is hungry work

Nessa parte da música ele relaciona atos pagãos (ele é um pagão dos bom momentos) com o que sua deusa exige, porque ele precisa mantê-la a qualquer custo. Adoração ao Sol, sacrifícios, coisas brilhantes, uma carninha para o prato principal, um cavalo. (O cavalo aqui na verdade significa a arrogancia dos outros em julgar, e que sacrificar essa arrogancia e julgamento seria ótimo para os fiéis famintos)
Ele faz tudo por ela, e não é fácil. (Mas parece saboroso e abundante. Vai fundo Hozier!)

Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of you lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good god, let me give you my life

Mas ela o leva para a igreja e dá aquela morte imortal.

No masters or kings when the ritual begins
There is no sweeter innocence than our gentle sin
In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am human
Only then I a clean
Amen

Quando o ritual começa não tem mestres nem reis (Fica a dica Mr. Grey), e que nada é mais doce e inocente do que o pecado suave. Na loucura e no solo daquela cena terráquea triste. Ele está no céu. Só então ele é humano e limpo. Ele se purifica pelo ato. Sexo poético.

Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of you lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good god, let me give you my life

E vamos para a igreja do Hozier que é carnaval e todo mundo merece uma morte imortal.


O video oficial também tem uma mensagem forte sobre amantes incompreendidos, mas esse dirigido pelo David LaChapelle é tão melhor e mais bonito que vou colocar aqui primeiro.

(Aguardo uma colaboração da Sia com o Hozier onde a Madeleine Ziegler - a garotinha de Chandelier- faça uma dança com o Sergei Polunin)




E o video oficial é esse.

13.2.15

50 Tons de Cinza

Para começar: não li o livro.

Conheço várias pessoas que leram, algumas gostaram, outras não passaram das primeiras 30 páginas, e muita gente falou mal. E tome polêmica. Pelo que entendi é um Sabrina/Bianca/Julia de capa dura (e pitadas de BDSM). A autora ficou milionária só no "falem mal, mas comprem meu livro".

Li um que artigo tem algumas passagens do livro e devo dizer que ri muito das descrições (voz de caramelo derretido, Ícaro voando perto do sol, suor com poderes, etc, e as inúmeras menções a tal da medula oblongata - wtf?). Melhor que isso só o fantoche Marcelinho lendo um trecho do livro.

Fiquei com preguiça de ler tantas menções a deusa interna (Oi?) e decidi esperar o filme.

Adianto que achei o filme melhor do que eu esperava. Tem uma trilha sonora boa, é bem filmado e mantém o interesse.

O filme tem dois graves defeitos: 1) falta total de química entre os protagonistas (saudades J.Lo e Clooney em Out of Sight) e 2) péssimos diálogos (se bem que esse defeito gostei porque dei muita risada).

Atenção para 50 tons de Bitch please. Para os dois, Mr. Grey e Anastacia. (COM SPOILERS)

A história é sobre Anastacia, que chamarei de Tatá, uma garota estabanada, hipster, que cai de paraquedas no escritório do Mr. Grey para fazer uma entrevista no lugar da amiga que ficou doente. O Mr. Grey, que é um dominador de carteirinha, viu na figura da Tatá uma ótima oportunidade de pessoa submissa e decidiu investir.

Tatá por sua vez achou o Mr. Grey lindão, hot, hot, hot, e ficou com os joelhos fracos e formigas nas calças. O Mr. Grey no modo stalker vai atrás dela no trabalho (uma loja de ferramentas), se oferece para posar para fotos do artigo da amiga e convida a Tatá para um café. Aí num papinho o Mr. Grey descobre que Tatá é mocinha romântica e desiste dizendo "não sou homem para você". (revirada de olhos nivel: Liz Lemon)

Decepcionada, Tatá vai com as amigues num bar, bebe todas e drunk dial o Mr. Grey. Tatá, amiga, que erro de principiante! Mr. Grey pega a deixa, vai lá tirá-la de uma bebedeira, e talvez de um amigo interessado nela, e a leva para curar ressaca no seu hotel. Ela acorda, pergunta se transaram, e o Mr.Grey (shirtless, claro) diz que não, que não toca nela antes dela assinar um contrato (Oi?), mas não resiste a mordidinha de lábios da Tatá e temos uma pegação no elevador digna de Grey's Anatomy. (trocadilho merecido)

(queria abrir um parenteses para o Taylor, motorista do Mr. Grey: macho-que-é-macho)

Tatá quer saber que babado do contrato é esse e Mr. Grey a leva para conhecer seu quartinho de brinquedos adultos. Tatá fica curiosa, Mr. Grey explica que ele é dominador, ela seria submissa e teria que obedecer as regras ou então seria punida mas que em troca ele seria só dela. (foge Tatá!) Aí ele diz que não vai fazer nada que ela não queira e descobre que Tatá é virgem. Felizmente ela não é muito apegada ao seu himen e vai logo se desfazer dele com o Mr. Grey.

Mr. Grey então entrega o tal contrato cheio de blá blá blá vibradores, algemas e cordas. Tatá cozinha Mr. Grey por um bom tempo até que ele decide dar uma palhinha de como pode ser um sexo BSDM com algumas palmadas. Enquanto isso Mr. Grey tira foto com ela para o jornal, apresenta ela a mãe, dorme de conchinha, é um fofo. Eles negociam os termos do contrato e ele até aceita um cineminha com jantar. Tatá diz que topa entrar no quarto de brinquedos, mas ainda não assina o contrato.

Aí vem as cenas picantes, só que não. Se fosse um filme da HBO seria bem melhor, just saying.

Tatá decide visitar a mãe em outro estado, Mr. Grey fica puto que não foi avisado mas aparece lá de surpresa e leva Tatá para um voo de ultraleve. (Pierce Brosnan e Rene Russo fizeram muito melhor em The Thomas Crown Affair)

Alguma coisa acontece nos negócios do Mr. Grey que o deixa tenso, ele volta para casa mais cedo e quando ela chega eles tem uma DR. Tatá quer ficar alisando o peito do Mr. Grey, ter conversas profundas, quer saber do passado dele, mas ele acha que ela está sendo desobediente e merece punição, ela questiona mas acaba aceitando para tentar entender. Seis chibatadas depois ela vê que o buraco é mais embaixo, devolve o computador e o carro e vai embora, mas não sem antes dizer um NÃO bem bonito para o Mr. Grey.

Achei esse final muito digno. Tatá experimentou coisas pela primeira vez com Mr. Grey (ele também com ela), se apaixonou, viu que tem muita gente esquisita por aí, que ele é duro na queda, optou pela saída a direita e o deixou para brincar sozinho no quartinho.

Para que continuações?

Olha amigues, passar duas horas vendo o Jamie Dornan na tela grande não é nada mal. Ele pode não ser um ótimo ator, mas dá conta do recado e é bonito. O shirtless dele é louvável. Já tinha reparado nele quando fez o caçador da Branca de Neve em Once Upon a Time, e depois ele fez o serial killer mais bonito de todos os tempos em The Fall. (Hannibal você é mestre, mas o Paul Spector é lin-do). O Mr. Grey dele só fica interessante mesmo quanto faz cara de psicopata combinado com o shirtless.

Já Dakota Johnson deu uma certa dignidade a Tatá. Em nenhum momento achei que a Tatá tivesse interessada no din din ou poder do Mr. Grey, queria mesmo aquele corpinho. Ela morde os lábios mais do que a Kristen Stewart e é intencional (afinal o Mr. Grey fica loka quando ela faz isso), mas na reta final teve pulso.

Pena que faltou química entre os dois.

A Tia Helô ia ficar horrorizada com os brinquedinhos de Mr. Grey, e mais ainda com aqueles diálogos cafonas: 813 "Ai, Jesus!" para Tatá e Mr. Grey.

7.2.15

Pedalando

Em 2000 (isso mesmo, 15 anos atrás) vendi meu carro e comprei uma bicicleta. Durante um ano ia para quase todos os lugares perto de casa de bicicleta. Na época comprei uma mountain bike barata da sundown (uma genérica da caloi que nem sei se existe mais) que rodava bem e eu podia deixar ela amarrada em qualquer poste.

Pedalar em Fortaleza era muito mais perigoso do que hoje. Não tinha ciclovias, nem ciclofaixas, e os poucos ciclistas eram: atletas profissionais (ou fingindo ser) ou entregadores (isso na parte central da cidade porque na periferia sempre teve muitos ciclistas que foram trocando suas bicicletas por motos). Desisti de tomar susto todos os dias e voltei a usar o carro, não abandonei a bicicleta mas usava bem menos.

Felizmente hoje a cidade já está abraçando mais as bicicletas, as pessoas estão vendo que não vale a pena ficar preso no transito e o numero de ciclistas aumentou consideravelmente.

A minha sundown ainda está boa mas está velhinha, então decidi comprar uma nova. Escolhi uma urbana, sem barra no meio (que facilita andar de saia e vestido), simples mas muito confortável.

Chegou ontem, montei hoje e já saí pedalando.

com cestinha e capacete, claro.

31.1.15

Carnaval em Fortaleza

Fortaleza era uma cidade sem um carnaval expressivo. Sempre teve blocos de pré-carnaval mas quando o reinado do momo começava todos viajavam (para as praias ou outras cidades carnavalescas). A cidade ficava vazia, calma, silenciosa. Lembro que os cinemas faziam promoções e via filmes por 2 reais, as praias urbanas ficavam vazias e o shopping era mais abandonado que cidade de faroeste. Os turistas que vinham nessa época queriam calma e tranquilidade. O máximo que acontecia de folia era o desfile de Maracatu.

bloco no mercado dos pinhões

Há uns 3 anos isso começou a mudar. O pré-carnaval continua firme e forte com blocos e bandas todos os fins de semana de janeiro, mas agora tem uma programação de carnaval consistente para a cidade. Os turistas estão vindo, os locais ficando e a cidade fica cheia.

Esse ano até vai ter banda de bloco importada do Rio de Janeiro. Vai ter carnaval na Praça do Ferreira, no Aterrinho da Praia de Iracema, os desfiles na Domingos Olimpio e mais alguns blocos de rua como o Sanatório Geral, que sempre tem fantasias ótimas.

Ontem fui no pré-carnaval do Luxo da Aldeia que acontece dentro (e fora) do Mercado dos Pinhões. Estava animado, um bocado de gente fantasiada. 


Confesso que prefiro a tranquilidade, não sou do carnaval, mas estou disposta a me aventurar em algum bloco. Depois conto.


21.1.15

+ Filmes

Wild (Livre)

A Cheryl (Reese Witherspoon) sofreu alguns traumas, teve problemas com o casamento, com drogas e decidiu fazer a trilha do Pacific Crest Trail que tem mais de 1700 km e vai do deserto no sul da Califórnia até a fronteira com o Canadá.

Ela vai sozinha. Andou por mais de 3 meses, enfrentou noites sozinha, animais perigosos (inclusive alguns humanos), encarou medo e unhas caídas, mas também fez amigos e até alguns fãs.

O filme é sobre essa caminhada e ao longo do caminho somos apresentados a vida passada da Cheryl através de alguns gatilhos como música, cartas que ela recebe, lembranças que ela tem.

O fim é meio sem graça, mas o que importa é o caminho né?

A Tia Helo ia ficar horrorizada com uma mulher andando sozinha no meio do nada. Mal sabia a Tia Helô que isso faz um bem danado, 725 "Ai, Jesus!" para as botas pequenas da Cheryl.


Foxcatcher 

Eu queria ver esse filme pelo Steve Carrell num papel sério. Ah, quem estou enganando? Queria mesmo era ver 2 horas de Channing Tatum naqueles maiôs de luta.

A história é sobre os irmãos Schultz, que eram lutares e campeões olímpicos, e o milionário John Du Pont. Mark Schultz (Channing, sempre em forma) é o irmão mais novo que apesar da medalha olímpica vive na sombra do irmão mais velho Dave (que também tem sua douradinha). Um dia o Mark recebe uma ligação do John Du Pont o chamando para lutar no seu time (e morar na sua fazenda).

O John Du Pont era um cara esquisito. Era daquelas pessoas que comprava amigos, oferecia coisas e depois cobrava. A relação dele com o Mark era conturbada e com Dave também. E claro que tem um fim trágico.

O filme é chaaaato pacas. Pronto falei. A única coisa interessante (além do Channing de maiô) é a relação entre os irmãos. Mark Ruffalo é muito bom no papel do Dave.

O Steve Carrell faz um John DuPont freaky, não sei se o da vida real era daquele jeito mesmo, mas achei uma atuação pesada.

Esse filme foi indicado ao Oscar por ator, ator coadjuvante, roteiro original, direção e maquiagem.

Não foi indicado a melhor filme, achei justo, é tedioso, e muita coisa ali poderia ter sido melhor aproveitada (a relação do John DuPont com a mãe).

A Tia Helô teria dormido nos 5 minutos iniciais, e talvez acordasse para ver o Channing shirtless. 128 "Ai, Jesus!" para Foxcatcher.

18.1.15

Analisando a música: Chandelier (Sia)

Um dos videos que fez mais sucesso ano passado é dessa música da Sia.

Quem é Sia? Eu também não conhecia, e pelo jeito não vou saber quem ela é porque agora ela só canta de costas para o público.

A vi no programa do Graham Norton. Ela cantou o tempo todo e deu a entrevista de costas. Foi meio bizarro. Ela disse que não que ser famosa e quer ficar longe dos holofotes, mas quer que a música faça sucesso. Bem, isso ela conseguiu. (Depois descobri que ela sofre de depressão e teve ataques de pânico.)

Sia é uma cantora pop australiana que começou a carreira em 1996. O primeiro hit foi "Taken For Granted" em 2000. Ela lançou 4 albuns até 2010 quando lançou We Are Born e se "aposentou". A Sia decidiu se recolher dos palcos e só compor.

Ela é uma compositora de mão cheia, distribui hits mais do que um crupiê cartas no cassino. Só para vocês terem idéia, ela compôs: Diamonds da Rihanna, Pretty Hurts da Beyoncé, Perfume da Britney, e Titanium do David Guetta.

Parece que um dia ela estava compondo e achou que Chandelier seria uma música ótima para ela mesma e a partir daí criou um conceito para o album 1000 Forms of Fear que foi lançado em 2014. A Sia também criou essa imagem da loira chanel para que seja uma marca dela (como aquele cabelo bolo de noiva da Amy Whinehouse).

E é aí que entra o video da garotinha de peruca loira que faz uma coreografia contemporânea.

Mas, sobre o quê é Chandelier? Vamos analisar.


Party girls don't get hurt
Can't feel anything, when will I learn
I push it down, push it down

A música é sobre uma garota festeira, que não perde a oportunidade de estar na pista. Acontece que como todos nós que um dia já tivemos ressaca, inclusive moral, sabemos que essa vida não pode durar para sempre.
Ela fala que não sente nada e se pergunta: "quando vou aprender?". É um vício.

I'm the one "for a good time call"
Phone's blowin' up, they're ringin' my doorbell
I feel the love, feel the love

Ela é a ligação que todo mundo faz quando querem se divertir. O telefone toca direto e até batem na porta dela. Assim ela se sente amada. (Mas para isso tem que estar sempre animada e pronta para uma festa. Quem consegue ficar assim o tempo todo? Pois é.)

1,2,3 1,2,3 drink
1,2,3 1,2,3 drink
1,2,3 1,2,3 drink

Throw em back, till I lose count

1,2,3 bebe! E lá se vão os shots (tequila, whiskey, vodka, etc) até perder a conta. Só assim para ela se animar. Beber até se sentir confortavelmente entorpecida. (como já disse o Pink Floyd).

I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
Like it doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night, feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier

Aí com o alcool fazendo efeito o que ela diz que vai fazer? Se pendurar no candelabro e balançar como se não houvesse amanhã. Nesse ponto da noite a bebida (e talvez drogas) já fazem efeito e ela está na fase "me sinto indestrutível e livre". No meio da estrofe, num quase desespero querendo muito acreditar, ela fala que vai voar como um pássaro e sentir as lágrimas secando. Gente, ela sabe que não está bem, mas afinal ela é a party girl.

And I'm holding on for dear life, won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full till morning light, 'cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life, won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full till morning light, 'cause I'm just holding on for tonight
On for tonight

Aí chega aquela parte da noite que todo mundo já começa a ir embora, mas tem gente que nunca sabe quando a festa acaba. A tonteira começa a ficar pior, é a ressaca batendo na porta, mas ela que se manter otimista porque é só por hoje a noite (doce ilusão). E ela pede ajuda, porque é só por hoje a noite (continua se iludindo).

Sun is up, I'm a mess
Gotta get out now, gotta run from this
Here comes the shame, here comes the shame

O sol nasce, a maquiagem está vencida, a roupa amassada, está na hora de ir embora. E lá vem a ressaca moral....

1,2,3 1,2,3 drink
1,2,3 1,2,3 drink
1,2,3 1,2,3 drink

Throw em back, till I lose count

Fazer o que? Tomar umas pílulas para recompor. (Esse 1,2,3 também pode ser algumas pílulas que ela toma para se manter animada ou viva mesmo).

I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
Like it doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night, feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier

And I'm holding on for dear life, won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full till morning light, 'cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life, won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full till morning light, 'cause I'm just holding on for tonight
On for tonight

Numa segunda análise essa música pode ser sobre depressão e alcoolismo. Que esse "vou balançar do candelabro" e que essa vontade de viver como se não houvesse amanhã talvez seja uma euforia passageira. Essa interpretação é reforçada pela estrofe que ela diz que está "agarrando a sua preciosa vida, que não vai olhar para baixo, não vai abrir os olhos" e pede ajuda para se manter otimista. Ela se engana dizendo que é só por hoje a noite, mas os demônios voltarão. O vício é cíclico.

Ainda bem que a música é boa, porque essa análise deixa qualquer um deprimido. 1,2,3 drink!

A garotinha do video (Madeleine Ziegler) faz uma coreografia sensacional no meio de um apartamento muquifo no que parece ter sido filmado em um take. 1,2,3 aperta o play!




A garotinha fez tanto sucesso que a Sia a colocou num segundo video, Elastic Heart, também muito interessante, junto com o Shia LaBeouf. (não gosto muito dele como ator, mas ele faz careta bem)

13.1.15

+Filmes

American Sniper

Bradley Cooper faz o atirador de elite Chris Kyle, que foi um dos mais eficientes na ação dos americanos no Afeganistão e Iraque. Chris era um patriota em primeiro lugar, ele acreditava mesmo em defender seu país. Durante nove anos foi para o meio da zona de guerra ajudar os soldados a ficarem seguros.

Ele tinha uma visão perfeita e provavelmente enxergava agulha no meio do palheiro com facilidade.

Guerra é uma coisa confusa. Ambos os lados tem suas razões, ambos tem mocinhos e vilões. Ainda mais nos dias de hoje que é quase tudo na base do video game, pessoas numa sala apertando botões para que drones joguem bombas. É tudo tão absurdo e violento. Quem sofre mais é quem está la no meio sem ter como sair.

O Clint Eastwood dirigiu essa biopic (sim, é baseado numa pessoal real - mas eu só descobri no fim do filme) e dificilmente um filme dele é ruim, ainda mais com o Bradley Cooper.

Além da zona de guerra também mostra Chris com sua família nas poucas vezes que ele estava em casa e na dificuldade que os soldados tem ao retornar da guerra.

A Tia Helo provavelmente bateria continência para o Chris. 372 "Ai, Jesus!" para cada tiro que ele deu.


Birdman

Um filme sobre um ator que fez sucesso com um personagem superherói (o tal Birdman) há 20 anos e ainda tenta ser um ator levado a sério. Para isso ele adaptou e montou uma peça, dessas filosóficas, mas esbarra no seu ego que conversa com ele com uma voz grave.

O Michael Keaton foi o Batman mais de 20 anos atrás, mera coincidência? Não sei, mas Birdman é muito bom. E ele está ótimo no papel.

Edward Norton está muito bom no papel de um ator egocêntrico que o personagem do Michael Keaton contrata para trabalhar na peça.

O Alejandro Gonzalez Iñarritu dirigiu esse filme de uma forma genial. Ficou de um jeito que parece que foi um só take e a camera está sempre acompanhando alguém. A trilha sonora é um espetáculo a parte: mais da metade do filme é só uma bateria (até parece que o baterista de Whiplash estava nesse filme).

Já estou torcendo para esse filme ser indicado ao Oscar.

A Tia Helo ia achar tudo uma grande viagem na maionese e ia ficar meio tonta com a camera, 683 "Ai, Jesus!" para o homem pássaro.

10.1.15

+Filmes

The Imitation Game

Ano passado li um livro sobre a vida do Alan Turing, que é interessantíssima, que em muitas partes era bom mas deixou um pouco a desejar quando o autor queria explicar matemática avançada para leigos (sem ele mesmo entender).

Esse filme foi baseado em outro livro chamado Alan Turing: The Enigma, que não li.

O Turing praticamente inventou o sistema binário e tinha idéias para uma máquina que pensasse. É praticamente o criador do computador.

O filme é sobre como ele desenvolveu uma máquina que foi capaz de quebrar os códigos dos alemães durante a segunda guerra e assim ajudou os britânicos e aliados a fazer ataques estratégicos que foram importantes para o fim da guerra.

O Turing era homossexual assumido, mas na Inglaterra daquela época era proibido. Ele teve a casa roubada e o amante do Turing disse que foi um amigo dele. Turing chamou a policia e na investigação os policiais descobriram que Turing tinha tido relações homossexuais com o rapaz. Turing foi condenado e escolheu a castração química como pena.

O Alan Turing passou a ser notícia quando em 2013 a Rainha Elizabeth assinou o perdão da pena de indecência a qual o Turing foi condenado em 1952, e ainda recebeu reconhecimento por todos seus feitos durante a segunda guerra. Mais do que justo.

O Benjamin Cumberbatch está sensacional como Turing. Estará no Oscar com certeza.

A Tia Helo não era adepta dos computadores, mal usava calculadora, mas teria gostado do Turing. 43"Ai, Jesus!" para o matemático e seus amigos.

Whiplash

Esse filme é sobre um baterista de jazz que é aluno numa das melhores escolas de música, é dedicado, focado e acredita que pode ser o melhor. Aí entra o professor sargentão/Sr.Myagi que o escolhe para a banda da escola que toca em competições. Tem palavrões, humilhação, gritaria e algum sangue. E fica a pergunta: será que um talento realmente desenvolve seu potencial sem que seja pressionado?

É quase um Cisne Negro com baterias.

Só se fala no J.K. Simmons como o condutor linha dura, mas o Miles Teller no papel do baterista está ótimo. Queria saber se ele aprendeu mesmo a tocar bateria daquele jeito.

Claro que qualquer banda precisa de ensaio, e muito ensaio, mas eu achava que jazz era um estilo musical relaxado, daqueles que o pessoal se junta para uma jam session e sai um som. Que nada. Tem até competição.

A Tia Helo ia ficar tensa com o Miles Telles e suas baquetas nervosas. 427 "Ai, Jesus!" para o som de Whiplash.

6.1.15

Momento transporte público: bicicletas compartilhadas em Fortaleza

Como eu já disse várias vezes aqui no blog, sou a favor de qualquer iniciativa que diminua o número de carros nas ruas e melhore o transporte público e também sou adepta das bicicletas como transporte alternativo.

Com a ciclofaixa de domingo os ciclistas cearenses se empolgaram, muitos sairam do armário e as lojas de bicicletas nunca venderam tanto.

Fortaleza agora tem bicicletas compartilhadas. Aqui elas são verdinhas (o patrocinador é outro) e estão sendo muito usadas.



Quem acompanha o blog sabe que uso muito essas bicicletas quando estou no Rio, é o meu meio de transporte principal na cidade, então comemorei que agora também tem em Fortaleza.

A idéia dessas bicicletas é o deslocamento de um lugar para o outro. Você pega numa estação e pode devolver em qualquer outra.



Como faz? Baixa o aplicativo do Bicicletar, faça o cadastro e compre o passe (que pode ser de um dia R$5, um mês R$10 ou um ano R$60), depois é só seguir os passos na app. Para quem não tem um smartphone, faz o cadastro e compra o passe no site e na estação é só ligar para o número que tem no totem da estação e seguir as instruções. Tem uma opção de passe atrelado ao bilhete único (mas essa não usei porque não tenho o bilhete)

Para devolver basta encaixar a bicicleta na estação. Até 60 minutos está incluído no passe, depois que usar uma hora tem que devolver ou então paga a hora extra. Se quiser tirar outra logo depois tem que esperar 15 minutos, ou então paga hora extra (mesmo que não tenha usado os 60 minutos na vez anterior). Aos domingos e feriados o tempo é de 90 minutos.

Se após retirar a bicicleta ver que tem algum defeito pode devolver em até 5 minutos.

A diferença entre Fortaleza e o Rio é que os cariocas já tem ciclovias há muitos anos, muito antes do boom das bikes e muito antes das bicicletas compartilhadas. Claro que ainda pode melhorar muito, mas a cidade é bem servida de ciclovias.

Fortaleza não. Aqui as poucas ciclovias ficam fora da parte central da cidade e são apenas no meio de grandes avenidas. Com a moda da bicicleta (que espero que seja permanente tipo um pretinho básico) pintaram algumas poucas ciclofaixas nas ruas e aos domingos tem a ciclofaixa atravessando a cidade.



A Beira Mar tem uma faixa exclusiva no asfalto todo os dias de 5:30 as 7:30 da manhã que sempre foi para os corredores mas agora cada vez mais tem gente de bicicleta, está ficando congestionado.

kd espaço no meio dos corredores?

Fortaleza tem tudo para ser um lugar onde as pessoas andam de bicicleta. É uma cidade concentrada e as distâncias são curtas. Faz calor? Sim, bastante, mas também tem vento e muitas ruas arborizadas (contanto que não derrubem mais árvores).

Para que as pessoas usem mais as bicicletas, próprias ou compartilhadas, vai ser necessário mais ciclofaixas porque pedalar nas ruas é perigoso mesmo, o motorista local é mal educado (de carro, de ônibus, de taxi e principalmente de moto). E porque é perigoso muitas pessoas andam na contramão da ciclofaixa (algumas deveriam ser mão dupla. fica a dica.) e andam nas calçadas, apesar das mil placas dizendo que é proíbido.

tiozinho na bicicleta do lado da placa proibindo

Os ciclistas tem que lembrar que existem leis de transito para bicicleta também.

Então agora com as bicicletas compartilhadas espero ver cada vez mais pessoas pedalando.



31.12.14

Vem 2015!

Em 2014 foi difícil segurar o forninho, mas a vida é assim.

Então para entrar o ano novo com bastante groove aí vai uma das músicas mais gostosas de 2014 que não deixa ninguém ficar parado.

Beijo-tchau 2014.

Oi 2015, tudo bem?




(curiosidade: Michael Jackson escreveu essa música com o Paul Anka em 1983, mas foi barrada do Thriller. A versão solo do Michael Jackson é ótima, óbvio, mas gostei muito dessa atualizada com o Justin Timberlake.)

29.12.14

Momento TOC Livros (8)

Comecei esse ano estava decidida a ler mais de 25 livros, mas os últimos meses do ano foram complicados e não passei de 22 livros. Pelo menos mantive a média dos anos anteriores. Eu disse que ia tentar ler metade em português metade em inglês, isso não consegui. Li mais autores nacionais, muitos novos que gostei, li alguns estrangeiros traduzidos (geralmente nórdicos), mas os títulos em inglês sempre me chamam mais atenção.
Aqui estão os livros que li em 2014. (Os em azul tem links para posts que escrevi sobre eles.)

- S. - JJ Abrams e Doug Dorst - o livro interativo do cara de Lost. Um pouco confuso para ler, mas foi divertido, um bom desafio.

- Hard-boiled Wonderland And The End Of The World - Haruki Murakami - Nunca tinha lido nada do Murakami e antes de encarar o tal 1Q84 decidi ler outra coisa dele. O Murukami tem muita influência ocidental nas histórias mas ao mesmo tempo é bem japonês. Esse livro se passa numa distopia onde algumas pessoas conseguem guardar informações no cérebro como se tivessem algum controle do subconsciente e criam um mundo a parte. Os capitulos são alternados: um em Tokyo com o homem procurando uma solução par ao seu problema e outro no End of The World o tal mundo subconsciente. Eu gostei.

- Fim - Fernanda Torres - Gostei bastante desse primeiro livro da Fernanda Torres, espero que venham mais. Sobre um grupo de idosos.

- De Gados e Homens - Ana Paula Maia - esse livro foi uma surpresa. Um livro curto mas intenso sobre um homem que trabalha num matadouro e tem uma filosofia de vida muito interessante.

- The Man Who Knew Too Much - David Leavitt - Sobre o Alan Turing, homem que inventou o computador além de ter ajudado a Inglaterra e aliados a vencer os alemães na segunda guerra decifrando os códigos. Uma história interessantíssima com final trágico mas que nesse livro infelizmente ficou ofuscada pela tentativa do autor em querer explicar matemática avançada para leigos.

- The Flamethrowers - Rachel Kushner - Sobre uma mulher que vai para NYC para ser artista nos anos 1970 e lá ela começa um relacionamento com um artista italiano que é herdeiro de uma grande empresa italiana de pneus e motos. Ela gosta do italiano mas quer mesmo o BFF dele (que ela conheceu antes sem saber quem era). Ela vai parar na Italia, conhece a família rykah do italiano e acaba envolvida com uns revolucionários. É um livro bom de ler, daqueles que o meio é mais interessante do que o desfecho.

- Boneco de Neve - Jo Nesbø - Só descobri que esse livro faz parte de uma série que tem o detetive Harry Hole (nome super nórdico) como protagonista quando terminei. O livro é bom, passa em Oslo, até tive medo do tal boneco de neve, mas o mistério foi fraco.

- Super Sad True Love Story - Gary Shteygart - gostei muito dessa história de amor triste numa distopia.

- Cadê Você Bernadette? - Maria Semple - A Bernadette, era uma arquiteta famosa que construiu uma casa só com os materiais que tinha disponível num raio de 20 milhas, mas decidiu se aposentar depois de um episódio e foi morar com a família em Seattle. Ela é mãe da Bee e some dias antes de uma viagem que elas fariam a Antartida. O livro é a Bee investigando o sumiço da mãe. Divertido.

- Let's Explore Diabetes With Owls - David Sedaris - o David Sedaris é muito engraçado, ele é ótimo para contar crônicas do seu dia a dia e da família. Nesse livro ele explora outros pontos de vista de pessoas fictícias, conta episódios da sua vida (teve o passaporte roubado e os eventos seguintes a esse fato) mas a história mais interessante é sobre o processo dele para escrever.

- Nada - Janne Teller - esse livro é um pouco macabro. É sobre um garotinho que um dia decide que nada importa e sai da sala de aula e fica sentado numa árvore gritando verdades para os colegas. Os coleguinhas por sua vez decidem provar que existem coisas que importam sim e aí começa um jogo onde cada um tem que deixar o que mais importa para si numa pilha. Acontece que surge uma regra de que quem deixou uma coisa pode escolher o próximo, não só quem mas também o que. Aí a coisa começa a ficar sinistra. Criancinhas podem ser cruéis.

- The Statistical Probability Of Love At First Sight - Jennifer E. Smith - um livro young adult bonitinho sobre um casal que se apaixona num voo entre NYC e Londres.

- Quinze Anos de Constrangimento - Ana Paula Barbi - A Poalli é uma web celebrity que escreve textos divertidos em vários sites. Esse livro é bem curtinho com aventuras sexuais amorosas dela. Ela é engraçada.

- Norwegian Wood - Harumi Murakami - O Murukami gosta muito de música e sempre as menciona nos livros, esse então tem várias (e o próprio título vem de uma música dos Beatles). Alguém até fez uma playlist das músicas mencionadas nos livros e colocou no Spotify. O livro é sobre um rapaz apaixonado pela namorada do seu melhor amigo (que se matou) e seus anos na universidade em Tokyo. É triste, é melancólico e é bom. (e tem o filme, que não vi)

- The Best of Everything - Rona Jaffe - a vida de jovens mulheres em NYC no fim da década de 1950. Por mais independentes que as mulheres fossem tudo que elas queriam era casar (se bem que 50 anos depois em Sex and The City elas querem a mesma coisa). Tem uma personagem interessante as outras são bobinhas, mas é curioso a descrição da vida naquela época (e ver que pouca coisa mudou).

- Mr. Penumbra's 24 hour Bookstore - Robin Sloan - um livro sobre um mistério contido em livros.

- Dias Perfeitos - Raphael Montes - Um livro sobre um psicopata de ocasião - aquele que vai praticando maldades e terror psicológico de acordo com a situação que se apresenta. Um jovem estudante de Medicina se apaixona por uma garota e daí passa a perseguí-la. O fim é um pouco perverso.

- Barba Ensopada de Sangue - Daniel Galera - Apesar do fim meio apressado achei a leitura boa. Sobre um rapaz que se muda para o litoral catarinense atrás de um mistério que envolve seu avô.

- Summer Sisters - Judy Blume - livro adulto de uma das minhas autoras favoritas na infância. Sobre duas amigas desde seus verões aos 12 anos até a vida adulta.

- The Rise and Fall Of Great Powers - Tom Rachman - O Tom Rachman é um escritor que tem o talento de descrever os personagens em poucos paragrafos de um jeito que ficamos íntimos deles. O livro é sobre Tooly e como ela foi criada por um grupo de pessoas de forma alternativa. Mostra como ela percebia esses relacionamentos e tem uma boa dose de expectativa x realidade. O livro passa em 3 fases da vida dela: aos 10 anos em 1988, aos 21 em 1999 e aos 32 em 2011.

- Every Secret Thing - Laura Lippman - Duas meninas, de 11 anos, pegam um bebê que foi deixado do lado de fora da casa e dias depois aparece morto. Elas são pegas, uma acusa a outra, vão presas como menores e passam 7 anos em instituições. Quando saem outra criança é raptada e a mãe da criança que morreu 7 anos antes acusa logo as duas meninas (agora adultas). É um livro de personagens femininas: as meninas, mãe de uma delas, mãe da bebê que morreu, advogada e detetive. A leitura é boa mas achei um pouco corrido no final.

- Of Human Bondage - Somerset Maugham - Esse livro é um clássico da literatura inglesa. É sobre a vida do Philip, um garoto que nasce com um defeito no pé, fica orfão, é criado por um tio religioso e sua esposa. O tio do Philip quer que ele seja pastor mas o quando o garoto faz 18 anos decide que vai ser artista e se muda para Paris. Depois ele acaba voltando a Londres e estudando medicina (seu pai era médico). O Philip é um personagem interessante porque as vezes ele trata mal as pessoas, se sente superior mas acha que todos reparam em seu pé e por isso acha que merece pena, e outras vezes ele simplesmente odeia as pessoas, mas ele também sabe ser doce, generoso e educado. Philip se apaixona, se dá mal, perde dinheiro (mas depois recupera) e a história dá algumas voltas.

Já tenho uma pequena lista no kindle para 2015.

Os outros Momentos TOC Livros: (1)(2), (3)(4), (5)(6) e (7)

28.12.14

Momento TOC: Top 05 momentos de lip-sync

Já fiz um post sobre os Top 10 momentos musicais em filmes, mas lip-sync é uma categoria específica. Existe o sing-along e o lip-sync. Sing-along é quando as pessoas só cantam junto com a música, o lip-sync exige interpretação e alguma coreografia.

Até eu já fiz lip-sync em algumas festinhas, mas isso fica para outro dia.

Então, depois de ver Skeleton Twins que tem a maravilhosa cena onde o Bill Hader faz o lip-sync de Nothing's Gonna Stop us Now junto com a Kirsten Wig, resolvi fazer essa lista.




05. Old Time Rock and Roll - Risky Business
Essa é um clássico do lip-sync. Palmas para Tom Cruise de cueca e camisa.



04. Jump For My Love - Love Actually
Ninguém sabe ser ridículo com classe como o Hugh Grant. Nesse filme ele faz o primeiro ministro britanico e nessa cena é mais um butt-sync do que lip-sync, mas a reboladinha sexy do hugh é precisa. (pena que a cena é curta)



03. Day-O - Beetlejuice
As pessoas da mesa não fazem lip-sync voluntariamente, tem uma certa influência de outro mundo. Adoro.




02. I Will Survive - Priscila, A Rainha do Deserto
Gente, é um filme sobre drag queens e o que elas mais gostam de fazer é lip-sync. Nesse filme tem várias, mas I Will Survive é a melhor, estão no meio do deserto e ainda conseguem arrastar um aborígene para acompanhar.



01. Waterloo - O Casamento de Muriel
As amigas até se vestem de ABBA para fazer esse lip-sync sensacional.

26.12.14

+ FIlmes

Boyhood

O Richard Linklater filmou ao longo de 12 anos a história de um menino desde seus 6 anos até o momento que ele vai para faculdade. Como exeperiência cinematográfica é incrível porque ele usou os mesmos atores e a logística (e paciência) de filmar por tanto tempo faz com que você aprecie o filme um pouco mais.
A história em si não tem nada de especial, é a vida do Mason que mora com sua mãe e sua irmã. Seus pais são separados e o pai (Ethan Hawke) aparece de vez em quando. Mason vai crescendo eventos vão acontecendo, alguns mais marcantes do que outros, afinal a vida é assim. Nós vemos o garoto crescer 12 anos em um pouco mais de 2 horas, mas imagino que para o ator que fez o garoto ver esse filme pronto deve ser uma experiência e tanto.

Confesso que achei a irmã dele mais interessante, o Linklater poderia editar a parte dela.

A Tia Helô provavelmente gostaria do Mason, mas el ia gostar mesmo era dos sogros do pai dele, 32 "Ai, Jesus!" para Boyhood.


Nightcrawler (O Abutre)

O Jake Gyllenhaal faz o Lou Bloom, um cara meio esquisito, um pouco criminoso, que fala frases feitas e parece que passa o tempo lendo e decorando coisas na internet. Ele está um pouco perdido entre roubar cercas de arame e fios de cobre para revender quando descobre que quer uma nova profissão: cinegrafista de acidentes/crimes/coisas com sangue.

Para isso ele começa com uma camera amadora, um radio da polícia e segue outros cinegrafistas para saber como funciona a coisa. Ele aprende rápido, muito rápido.

Se de um lado tem ele que está disposto a filmar pessoas presas em carros, gente que foi baleada e ainda está recebendo primeiros socorros, invade casas para enquadrar defuntos na lente, etc; de outro lado tem quem compra essas imagens. A notícia não é exatamente o que se vê na tela, mas o que é vendido pela emissora (as vezes o que se vê na camera não reflete exatamente o que aconteceu). Lou no quesito vale tudo para filmar uma cena sangrenta é moralmente flexível nível: hard.

Jake está muito bem, ele deve ter emagrecido um bocado para esse papel porque os olhos dele (que já chamam atenção por serem azuis e lindos) faltam saltar do rosto. Isso junto com a forma que ele fala, pausada, sem muita alteração de volume e frases feitas, temos um personagem curioso. Eu gostei.

A Tia Helô ia ficar horrorizada com o que se faz por um bom angulo, 515 "Ai, Jesus!" para o abutre do jornalismo.