16.4.14

Analisando a música: Losing My Religion (R.E.M.)

Em 1991 se você não era surdo, ou estava hibernando, certamente escutou essa música. Acho que até os índios enfiados nos cafundós da Amazônia identificam o bandolim desse hit que catapultou o R.E.M., uma banda alternativa, para o sucesso. E deve ser uma das músicas mais tocadas dos últimos tempos.

Até a minha mãe reconhece os acordes iniciais.

R.E.M. foi formada em 1980 em Athens, Georgia, no sul dos EUA. Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry lançaram a primeira música em 1981, Radio Free Europe, mas o primeiro album, Murmur, foi em 1983. O R.E.M. ganhou reconhecimento fazendo muitos shows numa época que o circuito alternativo não era muito frequentado e eles conseguiriam uma boa legião de fãs. Arrisco até a dizer que o R.E.M. fez uma ponte entre o pós-punk e rock alternativo. O primeiro sucesso, e pézinho no mainstream, veio com The One I Love (do album Document de 1987). O album seguinte Green (1988) também é muito bom. O som do R.E.M. é bem marcante, do tipo que você facilmente identifica como sendo deles e não só pelo vocal do Michael Stipe. Não é a toa que algumas bandas que vieram depois beberam na fonte do R.E.M.

R.E.M. é um banda que ocupa um espaço considerável no meu iPod. Fui dar uma olhadinha e entre as mais tocadas estão: Be Mine, Lotus, The One I Love, Man On The Moon, Hollow Man, Star 69, Crush with the Eyeliner, It's The End Of The World.

A fama veio mesmo com Losing My Religion, uma música de quase 5 minutos, sem refrão e com um bandolim. Claro que ganhou Grammys (album e música). Alguns fãs mais radicais do rock alternativo, depois do sucesso de Losing My Religion em todos os lugares (radio, MTV, boteco da esquina), deixaram de curtir a banda só porque achavam que tinha virado mainstream, mas isso não abalou a banda. R.E.M., assim como Pearl Jam e algumas outras bandas, tem fãs que acompanham a banda religiosamente. (sim, eu fiz esse trocadilho)

O último album que tenho é o Accelerate de 2008 e gosto bastante.

Losing My Religion é do Out Of Time (de 1991), que foi o album de maior sucesso da banda. Além da analisada da vez, tem Shiny Happy People, Near Wild Heaven, Radio Song e Texarkana.

Eu até prefiro o album seguinte: Automatic for the People (1992). Tem Drive, Man on the Moon, The Sidewinder Sleeps Tonite, e Everybody Hurts -> FATO e um clássico da dor de cotovelo.

Losing My Religion não é sobre religião. Whaaat? Pois é.

O pessoal do forum tem suas teorias: é sobre depressão, é sobre drogas (sempre), é sobre religião (os óbvios), é sobre a fama...

Eu acho, e o próprio Michael Stipe já disse, que é sobre...wait for it... amor não correspondido e obsessão ("I wanted to write a classic song about obsession."). Aliás, dependendo do nível, a obsessão pode sim ser uma religião.

Vamos analisar.

Oh, life is bigger
It's bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in you eyes
Oh, no I've said too much
I set it up

Então... ele está apaixonado e acha (quase com certeza) que não é correspondido. Começa a música com um fato: "a vida é maior do que você", ou seja, tentando se convencer que não é o fim do mundo se não for correspondido. Acontece que ele emenda: "e você não é eu", e essa ordem dos fatos é importante porque indica que ele sabe que não estão na mesma página. Aí ele diz que faria qualquer coisa por essa pessoa, mas vê a distância nos olhos dela (a falta de interesse). "Falei demais!", armou uma situação que agora não tem como escapar.

That's me in the corner
That's me in the spot light
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh, no I've said too much
I haven't said enough

"Sou eu ali no canto escondido ou sob a luz do holofote." Losing my religion é uma expressão comum no sul dos EUA que significa: cheguei no limite, perdi a compostura, tô com raiva e vou falar uns palavrões. Parece que é comum quando alguém dá um piti o outro dizer "losing your religion". O sul dos EUA é onde tem uma área conhecida como Bible Belt e claro que expressões religiosas devem pipocar por lá para se referirem a tudo. Pode ser também que ele está perdendo fé na situação que, obviamente, não vai acabar como ele quer. Aí ele repete: "Falei demais!" e emenda "Mas não falei o bastante". Ele está tentando deixar uma dica, mas parece que não esta sendo eficiente.

I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try

Aqui é ele tentando decifrar o que a outra pessoa está pensando, ou o que ele acha que ela está querendo dizer. Por isso nada é afirmativo, é tudo achismo: "acho escutei você rir, acho que escutei você cantar.". E a máxima da dupla dúvida: "acho que achei que vi você tentar."
Amigo, está tudo na sua cabeça.

Every whisper
Every waking hour
I'm choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt, lost and blinded fool 
Oh, no I've said too much
I've set it up

Cada sussurro e a cada hora que está acordado ele está escolhendo a dedo o que vai confessar para a pessoa amada. Como bom stalker, está de olho nela, e ao mesmo tempo se sente um idiota perdido, cego e machucado. "Ih, falei demais!", mas meio que colocou as cartas na mesa.

Consider this
Consider this 
The hint of a century
Consider this
The slip 
That brought me to my knees
Failed
What if all these fantasies
Come flailing around
Now I've said too much

E no momento #ficadica: "Pensa bem, considere essa a indireta (direta) do século. Tudo isso que eu disse me deixou de joelhos, fracassado. E se todas essa fantasias estão agitando tudo na minha cabeça?" Agora ele falou demais mesmo.

That's me in the corner
That's me in the spot light
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh, no I've said too much
I haven't said enough

I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try

Ele dizendo: "Estou aqui, olha para mim, estou no limite da razão, tentando te dizer algo importante..." mas parece que a pessoa amada ou não entende a dica, ou entende muito bem e está fazendo cara de paisagem.

But that was just a dream
Try, cry, why, try
That was just a dream
Just a dream

E no fim, tentando disfarçar, ele conclui que foi só um sonho. (amigo, eu disse que estava tudo na sua cabeça) Para que tentar, chorar, etc. Só. Um. Sonho. Acorda que a fila anda.

O video é um clássico. Tem elementos religiosos (tem santo, tem anjo sarado, tem hindu, tem leite derramado, tem Michael Stipe fazendo a dança da chuva) que até podem dar a idéia que é uma música sobre religião, mas é tudo idéia da cabeça do diretor Tarsem Singh junto com pitacos do Michel Stipe. O Tarsem Singh é um diretor indiano (por isso uma vibe bollywood no video) que trabalha muito bem o conceito visual (já histórias nem tanto). Ele dirigiu: A Cela e Mirror Mirror (o da Branca de Neve com a Julia Roberts). Eu gosto muito desse video, inclusive de todo o nonsense.

Vamos bater palmas e dançar, sem perder a religião.




9.4.14

Malhação

Os leitores do blog sabem que adoro uma atividade física e pratico vários esportes, quase todos ao ar livre. Um dos que mais gosto é a corrida de rua, e para melhorar o tempo e desempenho nas provas é necessário fazer musculação para fortalecer as pernas e costas. Acontece que detesto fazer musculação, acho chato e mais do mesmo.

A última vez que frequentei a musculação foi em 2012. Fui na academia que, teoricamente, era para ter um professor para cada 4 alunos, mas no fim era o de sempre: o instrutor faz a ficha (sem criatividade), dá uma olhadinha e vai fofocar com azamigues. Fiz três meses (ia to-do dia para fazer valer o din din) e parei.

Essa semana decidi que ia voltar a musculação para ver se o desempenho na corrida vai melhorar mesmo e fui atrás de uma academia perto de casa. O que eu não sabia era como o preço tinha aumentado! Acabei escolhendo uma que já frequentei, sem ar condicionado (fujo do ar condicionado), e que era a menos cara: 260 dilmas no horário executivo (mais em conta). Sem contar que se eu quiser fazer spinning tenho que pagar mais.

Já fiz treino funcional, gosto mais do que musculação, mas o melhor lugar para essa modalidade que tem mais perto de casa cobra esse mesmo preço por duas vezes por semana na aula coletiva. Oi?

Bem, paguei (relutante) e comecei a musculação. Um mês sei que faço, já o segundo....

Aí, hoje estava papeando no skype com uma amiga que mora na Alemanha e ela me contou da academia que ela também começou a frequentar faz pouco tempo. A academia fica a um quarteirão da casa dela, com equipamento moderno (made in Germany), app para instruções de como usar as máquinas, salas com aula de spinning e outros treinos, tem um tal de cybertrainning, e funciona 24 horas. Tudo isso pela bagatela de 20 euros mensais. VINTE EUROS! A app faz até aquela ficha básica para você. E, para completar, ela ainda disse: "e tem cada homem bonito malhando lá...".

Inveja define.

Desse jeito eu ia muito mais feliz para a musculação.


6.4.14

A semana no Rio (6)


Última semana no Rio. E foi assim:

fui na exposição do Ron Muek
um rolé por copacabana a noite
fui conhecer a biblioteca parque reformada
praia em ipanema sempre vai bem
fui ver minha amiga juliana no rainha
da praia
uma volta na lagoa
a kombi das flores
o centro de transmissão da FIFA sendo construído
(na praia e não no estádio)
visitei a luizinha e o bernardo ficou de olho nos
docinhos
live painting no evento hipster
e fiz stand up em copacabana 

Até a próxima temporada carioca.

2.4.14

Biblioteca Parque Estadual

Eu adoro ler, tem até uma sessão dedicada aos livros aqui no blog. Acontece que das bibliotecas públicas que entrei aqui no Brasil nenhuma era agradável, nem para ficar lendo nem para escolher os livros.

entrada pela Av. Presidente Vargas

Hoje fui conhecer a reformada e reinaugurada Biblioteca Parque Estadual no Centro da cidade. Não sei como era antes, não me lembro de ter reparado no prédio que era da década de 1980, mas ficou linda!

entrada pelo Saara

O slogan escolhido foi "Uma biblioteca que tem de tudo. Até livro." A idéia é de fazer da biblioteca um parque onde as pessoas vão passear.


O espaço ficou amplo, fácil de achar as sessões dos livros, com muitas áreas de leitura com cadeiras confortáveis. Tem áreas de trabalho com tomadas para quem traz seu computador, tem computadores a disposição, tem uma área para ver videos e filmes e outra de música inclusive com um estúdio de gravação. Tem teatro, auditório e até um espaço para o ócio.


Tem um café e um restaurante, e uma área aberta para quem não quer ficar no ar condicionado.


O espaço é convidativo e estava cheio. Segundo o rapaz que trabalha na sessão de quadrinhos (como não gostar de um lugar com sessão de quadrinhos?) eles tem recebido um bocado de gente, especialmente o pessoal que sai da Central e passa por ali.


Ainda estão organizando os livros, mas já tem bastante coisa nas prateleiras. É só fazer a carteirinha e pegar livro emprestado.

guarda-volumes


Até junho tem a exposição Vinicius de Moraes - 100 anos que está muito bacana. Todas as quartas até junho vai haver shows com músicas e poesias dele.



A Biblioteca Parque Estadual abre de terça a domingo das 10h às 20h.

As outras Bibliotecas Parque ficam em: Niterói, Manguinhos e Rocinha.

25.3.14

Exposições cariocas

Aproveitei esses dias no Rio e fui a três exposições:

Deslize - Surf e Skate
Uma exposição que mostra a história do surf e skate com filmes, revistas antigas, desenhos, e, claro, pranchas e skates. Gostei muito dessa exposição, só achei a iluminação escura.


Está no MAR e vai até dia 27 de abril. As terças a entrada é gratuita. No museu, além dessa exposição sobre surf e skate, também tem a Rio Imaginário com ótimas imagens do Rio antigo e uma sobre a arte pernambucana.


Metamorfose - Toz
O Toz é um artista urbano e trouxe os personagens de seus grafites para essa exposição. Metamorfose é baseado em dois de seus personagens principais: Insônia e O Vendedor de Alegrias. É uma exposição pequena, mas muito colorida e com instalações interessantes.



Está no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica até 11 de maio. Entrada livre.

Ron Muek
Esse australiano faz esculturas realistas com detalhes impressionantes (pés, unhas, rugas, cabelos, roupas). Nessa exposição tem 9 peças, a de um casal idoso é e-nor-me (a do frango também é grande), as outras são menores mas em todas se percebe os detalhes perfeitos.

casal jovem parece apaixonado mas atrás
é outra história

Está no MAM até 01 de junho. Entrada é R$14 (a inteira). 

23.3.14

A semana no Rio (5)


E vamos a mais uma semana carioca.

surf no arpoador
soneca na areia
suco gelado no calor de 38ºC
classic por do sol
lua cheia + stand up em copacabana
gente que anda de skate e fala no telefone
fui ver os remadores na lagoa
exposição do Toz
pranchas old school no museu
bananart

16.3.14

A semana no Rio (4)

Comecei essa série de fotos do Rio no instagram aqui no blog em Agosto do ano passado e aqui estou outra vez. Estou Aproveitando o fim do verão carioca, esperando as águas de Março aliviarem o calor, mas estão tímidas por enquanto. Então aqui vai a semana no instagram.

passando pela lagoa
pão de açúcar do outro lado da baía
parada no trânsito
peguei o fim do carnaval
com as mulheres de chico
(bloco que só toca músicas do chico buarque)
o red men group
dedicação a fantasia
por do sol da pedra do leme
passeando no calçadão
futevolei da tarde
skate na ciclovia
pescadores do posto 6 
o piscinão do arpoador
surf começa cedo