8.2.16

Enquanto isso no carnaval...

Ano passado me dediquei um pouco ao carnaval de Fortaleza e esse ano voltei a alguns blocos que achei divertido ano passado.

Como eu disse antes, tirando o pré-carnaval intenso, Fortaleza não é uma cidade carnavalesca, mas isso está mudando. A cidade continua vazia em muitos lugares (as ruas da Aldeota parecem cidade fantasma, está ótimo para pedalar), mas o número de pessoas no blocos locais só aumenta.

Esse ano fui a dois blocos: o Sanatório Geral e o Eu não sou cachorro não.

Para o Sanatório Geral eu até fiz uma fantasia já que nesse bloco quase todo mundo vai fantasiado e é uma festa.

Fui de BB 8 (até fiz um post mostrando como fiz a fantasia) e meu amigo Luiz foi de R2D2. Eu achava que ia ter mais gente fantasiada dos androides de Star Wars mas eramos os únicos. Princesa Leia, Luke, ObiWan, Jedi, Yoda tinham várias (e todas ótimas). Muitas pessoas (nerd alert!) pediam para tirar fotos e fui perseguida por crianças gritando "BB 8! BB 8!". Algumas queriam tirar fotos comigo e outras queriam usar o capacete (um mistério como o capacete chegou inteiro em casa depois da folia).

two drois no carnaval

mestre torrando no sol cearense

darth kd kylo?
muito fofa essa garotinha
de princesa leia

O Sanatório é um bloco que começa cedo, numa praça arborizada. As 9 da manhã a banda já está tocando e as 11 eles saem para uma volta no bairro. Quando cheguei as 9:30 estava ótimo, a praça não estava muito cheia e a banda animada. Tem muita gente que só começa a chegar depois e a praça vai ficando cheia de um jeito que pouca gente vai atrás da banda pelo bairro e as 12:30 já não dava para andar direito, especialmente onde tinha sombra.


carnaval do snapchat
só para causar polêmica

Axl sem Slash
walter white estava lá

jason deu uma passadinha
e nem era sexta-feira
uma flor para alegrar o dia

deu fome ver essa fantasia na hora
do almoço 


O Eu não sou cachorro não é um bloco que fica dentro (e em volta) do Mercado dos Pinhões e toca música brega. É um bloco divertido porque as músicas são conhecidas e as pessoas cantam mais. Não tem tanta gente fantasiada e a maioria de quem está com fantasia é porque veio do Sanatório Geral (eu incluída).

mercado no por do sol
depois de várias leias no sanatório
uma rey. (e nenhum poe dameron)


A noite ainda tinha show no aterrinho da Praia de Iracema, e eu até queria ver o Cidadão Instigado, mas a minha energia acabou as 7 da noite.

Hoje, Segunda, eu descanso, mas quem sabe amanhã encaro mais um bloco. :)


*Muitas dessas fotos foram do meu snapchat: kmarselle

28.1.16

+Filmes

MacBeth

Michael Fassbender está ótimo nessa adaptação da peça do Shakespeare sobre o monarca que, depois de saber de uma profecia de umas bruxas, faz de tudo (incentivado por sua esposa evil Lady MacBeth) para ser o Rei. E depois de ver uma temporada inteira de Outlander (mais alguns filmes tipo Braveheart e Rob Roy) sei do que um escocês é capaz (ui ui ui).

Acontece que a coroa vem com uma dose de paranóia.

Esse filme é todo com falas da peça de shakespeare, falado naquele inglês antigo com sotaque escocês, ou seja, tem que ler a legenda. Tirando a Lady MacBeth que é interpretada pela francesa Marion Cotillard, e o Fassbender que falava um pouco mais claro, eu não entendia mais ninguém.

É um filme interessante. Fassbender saindo molhadinho do lago gelado vale o ingresso.

A Tia Helô ia até se identificar com tanta paranóia. 217 "Ai, Jesus!" para o MacBeth e suas amigas bruxas.


Creed 

Esse é o sexto filme da série do Rocky Balboa e é melhor aproveitado se você viu, pelo menos, os 4 primeiros.

Nesse filme o filho ilegítimo do Apollo Creed, Adonis, decide largar o emprego num escritório e ser boxeador. Ele quer fazer um treinamento old school e vai até a Filadélfia atrás do "tio" Rocky. E aí temos um roteiro clássico de filmes de esporte: treino, primeira luta, mais treino, namorada, momento "não vou fazer mais isso", obstáculo emocional, mais treino e luta final. Tudo muito bem feito, bem dirigido e com uma trilha sonora muito boa.

Sylvester Stallone é o Rocky Balboa e é digno como ele aceitou envelhecer nesse filme. Michael B Jordan (que acho ótimo desde Friday Night Lights) é um talento e esse filme certamente cresceu por causa dele.

Eu gostei. As escadas do Museu da Filadélfia estão lá, mas a subida nas escadas é um pouco diferente.

Sylvester Stallone foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante. Merecido. E acho que esse filme poderia estar lá entre os melhores do ano.

A Tia Helô ia fechar os olhos em cada soco dado. 356 "Ai, Jesus!" para Rocky e Donny.

Truth

Os jornalistas do programa 60 Minutes da CBS foram atrás da história do George Bush, na época que ele era candidato a presidente, sobre seu serviço militar.

Depois que o programa foi ao ar os jornalistas foram acusados de terem usado documentos falsos e aí segue toda uma investigação sobre como as informações chegaram a produtora do programa.

A terceira temporada de The Newsroom foi sobre a mesma coisa. Ambos são bons, tanto o filme quanto a série.

Robert Redford faz o apresentador Dan Rather e Cate Blanchett faz a produtora Mary Mapes.

A Tia Helo não ia dar a mínima para essa fofoca toda. 15 "Ai, Jesus" para a fonte new times roman.


Anomalisa

Um filme feito em stop motion sobre solidão, mesmice, busca por algo diferente, e talvez amor. O Charlie Kaufman deve ter uma mente bem esquisita e de lá saem umas coisas estranhas tipo: Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (ótimo), Adaptação (gosto), Being John Malkovich (muito bom), Synedoche NY (bizarro mas gosto).

Em Anomalisa o escritor de auto ajuda Michael Stone está indo para mais uma palestra sobre seu livro, a vida dele é mais do mesmo, e ele está passando por um momento filosófico. O interessante é que todas as outras pessoas tem a mesma voz: mulheres, homens e crianças. Michael está encasquetado com uma carta que recebeu de uma ex-namorada anos atrás quando terminaram o namoro e decide encontrar com ela. Esse encontro não vai nada bem e de volta no quarto o Michael escuta uma voz diferente e vai atrás de saber de onde vem.

É assim que ele conhece a Lisa que colore a noite com sua voz diferente. Bem, até o café da manhã.

A idéia do filme é boa, até o fato de ser filmado com bonecos parecidos em stop motion faz todo sentido, mas achei esse filme um pouco chato. Dormi umas 4 vezes no meio.

A Tia Helô não ia achar nada demais na vida depressiva do Michael. 143 "Ai, Jesus" para aqueles nudes pós-banho do boneco.

23.1.16

Momento Arts and Crafts

Como fazer uma fantasia do BB 8.

Eu não sou muito de carnaval mas gosto de ver as pessoas fantasiadas e gosto de quem se dedica a fantasia. Ano passado fui num bloco de carnaval aqui em Fortaleza onde todas as pessoas estavam fantasiadas e achei divertido. Fantasias criativas e inusitadas.

Então esse ano decidi ir nesse bloco outra vez e queria ir fantasiada. Mas de que?

(Geek mode: ON)

Lembrei que ano passado tinha um grupo fantasiado de Star Wars mas as fantasias eram todas caseiras e o grupo se chamava Istá Uós. Aí decidi que queria ser o android BB 8 e fui atrás de saber como fazer essa fantasia.

Depois de passear pelo google e youtube decidi unir duas técnicas que vi online. Uma era fazer a cabeça de isopor e a outra era pintar uma camiseta. Assim eu teria uma fantasia reconhecível, leve, confortável e barata.

Coloquei o pedaços do processo no snapchat e algumas pessoas perguntaram como fiz, então vamos lá:

O Capacete:

1. Comprei uma bola de isopor tamanho grande, dessas que usam para fazer o sol em trabalho escolar sobre o sistema solar, que a metade cabe numa cabeça.



Uma bola dá para fazer 2 cabeças de BB 8 ou uma do BB 8 e uma do R2D2.

2- Pintei uma metade com tinta branca (tinta de parede a base de água que tinha aqui em casa) e a outra metade de cinza (também com tinta que tinha aqui junto com um pó metálico). É mais fácil desenhar e pintar na tinta de parede seca do que direto no isopor.



3- Depois que a tinta secou desenhei com um lápis os contornos (usei alguns potes de plástico redondos e fita crepe para ajudar).



4- Com 2 tampas de plástico (de creme e de shampoo) fiz as lentes. Pintei de preto com caneta de CD e colei no isopor com cola branca.



5- Passei caneta preta nos contornos e pintei de laranja com tinta acrílica de tecido (aproveitando a tinta que comprei para pintar a camiseta) e a parte cinza com a tinta de parede que usei para pintar o outro capacete.




A Camiseta

1- Peguei uma camiseta branca de algodão no armário (tenho muitas).

2- Imprimi desenhos num papel A4. (peguei nesse site e fiz algumas adaptações)



3- Comprei tinta laranja e prateada e uma caneta preta para tecido. Pintar tecido é difícil. Tive que dar um jeito de manter a camiseta esticada e não foi fácil.



4- Coloquei o desenho embaixo e tracei por cima na camiseta. Primeiro com um lápis e depois com uma caneta de tecido preta.



5- Tem que pintar uma bola de cada vez e esperar secar antes de fazer outra. Não esquecer de colocar um papel embaixo do lugar que vai pintar porque a tinta atravessa o tecido. Fiz essa fantasia em 2 dias (demorou porque tive que esperar a tinta secar).




Para fazer o R2D2 é só repetir o processo (usando tinta azul e cinza).



O carnaval é em duas semanas, corre que dá tempo!

18.1.16

+Filmes

The Danish Girl

Um filme sobre a tranformação de Einar em Lili no início do século 20. Einar e Gerda eram um casal que se dava muito bem. Ela era pintora e travestia o marido para que ele se tornasse seu objeto mais conhecido em sua arte. Gerda fez sucesso com os quadros de Lili.

Acontece que Einar gostava de ser Lili, ele se sentia mais Lili do Einar e quando assume isso parte para uma transformação mais permanente.

O Eddie Redmanye faz Einar/Lili como uma delicadeza incrível. Foi merecida a indicação ao Oscar e merece muito levar a estátua para casa, outra vez. Alicia Vikander também foi indicada para atriz coadjuvante por esse filme, ela está muito bem (mas a prefiro em Ex Machina).

A Tia Helô não ia entender nada do que acontecia com Einar/Lili, 258 "Ai, Jesus!" para a garota dinamarquesa.


Hateful 8

Tarantino sendo Tarantino. Fotografia bonita, diálogos ótimos, violência quase de desenho animado e história dividida em capítulos. Um filme sobre 8 pessoas que acabam presas numa bodega no meio da nevasca. E é isso. Discutem um bocado, alguns morrem, a mulher (a ótima Jennifer Jason Leigh, indicada ao Oscar) sofre um bocado (mas está sempre bem humorada), Samuel L Jackson e sua fala-discurso, e o ótimo e meio desconhecido Walter Goggins (gosto dele da série Justified) roubando a cena.

Esse filme foi rodado em 70mm. O que isso significa? Para quem viu no Brasil nada porque não existe cinema aqui que reproduza esse tipo de filme, mas a fotografia deve ter ficado sensacional nos pouquíssimos cinemas que mostraram a versão original. Está concorrendo ao Oscar de melhor fotografia, claro.

Confesso que senti um pouco as 3 horas de filme e dei umas 2 cochiladas no cinema, mas gostei do filme. A trilha sonora do Ennio Morricone é muito boa, mas senti falta do um hit pop desenterrado da vez.

Tarantino não foi indicado a melhor roteiro original. Poxa pessoal do Oscar, que bola fora hein?

A Tia Helô ia ver esse filme com as mãos tapando os olhos. 629 "Ai, Jesus!" para os 8 odiados.


Steve Jobs

Sou pessoa consumidora da Apple. Dito isso, acho o Steve Jobs um chato. E deve ser essa chatice dele que fez com que tanta coisa acontecesse.

O grande talento do Steve Jobs era juntar as pessoas certas e fazer com que elas trabalhassem para atingir um objetivo imaginado por ele.

O Aaron Sorkin tirou leite de pedra com a história do Steve Jobs e conseguiu fazer 3 momentos da vida dele (lançamento de 3 produtos) interessantes além de costurar tudo com a história da filha que ele não queria assumir.

E o Aaron Sorkin não foi indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Como assim pessoal do Oscar??

Achei esse filme melhor do que esperava. Michael Fassbender faz um Jobs genial e antipático muito bem. É redundante dizer que Kate Winslet está ótima. Ambos indicados ao Oscar.

A Tia Helo nunca usou um produto Apple e provavelmente não iria se interessar pelo drama do Jobs. 31 "Ai, Jesus!" pelos momentos detalhistas.

14.1.16

+ Filmes

As indicações do Oscar saíram hoje e gostei de ver Mad Max indicado em um bocado de coisa. Só senti falta da Charlize Theron em alguma categoria de atriz. Tem até um desenho animado brasileiro na parada. Também gostei de ver Ex Machina em algumas categorias. Star Wars merecia uma indicação a melhor filme só pela bilheteria monstruosa. Já escrevi sobre Mad Max, O Regresso, Spotlight, Brooklyn, Room e The Martian. A seguir mais alguns filme e mais 2 indicados a melhor filme.

Bridge of Spies

Um filme do Spielberg sobre a guerra fria. O muro de Berlim ainda está sendo construído e o babado dos espiões está com força total.

Um espião russo é preso nos EUA e os americanos (certinhos como só eles) querem dar um julgamento justo e indicam um advogado para defendê-lo. O Tom Hanks é esse advogado que é especializado em causas de seguro, portanto um ótimo negociador.

Acontece que um piloto americano é pego tentando tirar fotos do solo soviético e um estudante americano é pego do lado errado do muro. Cabe ao Tom Hanks negociar para trocar o russo pelos americanos.

Gostei desse filme. Foi indicado a Melhor filme, Trilha sonora Original, Desenho de Produção, Mixagem de Som e Roteiro Original. Não deve levar nenhum, mas foram indicações merecidas.

A Tia Helo iria ficar horrorizada com aquele pessoal tentando pular o muro de Berlim. 215 "Ai, Jesus!" para Tom Hanks e seus espiões.


The Big Short

Esse filme é sobre a bolha que deu origem a crise mundial de 2007. Essa crise começou com a bolha imobiliária americana. Um analista descobriu que tinha um furo no sistema de empréstimos/crédito imobiliários e decidiu investir contra os pagadores. Os bancos aceitaram o negócio porque nunca acharam que a inadimplência chegaria a tanto. (quanto mais inadimplência mais os bancos teriam que pagar ao analista). E na onda desse analista foram mais algumas pessoas que ganharam muito dinheiro.

É um assunto importante, o filme é feito de uma forma que tenta ser didática (e tenta ser engraçado, mas quem consegui rir com um negócio desses?), mas eu não gostei muito. Confesso que é um assunto que me irrita um bocado (tanto gente que entra em dívida para ter coisas que não vai conseguir pagar quanto o pessoal da bolsa que só joga com dinheiro alheio).

O pessoal do Oscar gostou. Indicaram a Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (O Christian Bale que não faz grandes coisas a não ser ficar trancado na sala e tocar bateria, mas é ele que descobre o furo), e Roteiro Adaptado.

A Tia Helo ia dormir no meio do filme. 21 "Ai, Jesus!" para o blá, blá, blá financeiro.


Sufragette

Um dos absurdos da história é que as mulheres só foram ter direito a voto no fim do século 19 em um país (na Nova Zelandia) e na maioria dos outros no início do século 20. Bem início quase metade. Em alguns lugares como a Suíça as mulheres só tiveram esse direito na década de 1970 (!!!!).

Felizmente muitas mulheres lutaram por esse direito e conseguiram, mas não foi fácil e foi com muito sacrifício. Muitas foram presas, perderam direito a ver seus filhos e apanharam um bocado.

O filme conta a luta das inglesas trabalhadoras por seus direitos. É bem feito, tem a Meryl Streep, Helena Bonham Carter e a Carey Mulligan. Girl Power.

Acho que a Tia Helô gostava muito do seu direito a voto, 14 "Ai Jesus!" para as mulheres sufragistas.


Legend

Na Londres de 1960 o East End era dominado pelos irmãos gangsters Ronnie e Reggie Kray. Eles aterrorizavam (com um certo estilo) a área. O filme é sobre os dois, principalmente Reggie e sua namorada (e depois esposa).

Tom Hardy faz os gêmeos de um jeito que a gente sempre sabe quem é quem. Palmas para ele.

A Tia Helô ia ficar passada com a violência, mas são gangsters né? 452 "Ai, Jesus!" para Ronnie e Reggie.


12.1.16

David Bowie




O David Bowie era tão vanguarda que muitas pessoas só entediam (e algumas ainda vão entender) o que ele estava fazendo alguns anos depois que ele lançava um trabalho e uma nova persona. Já falei dele várias vezes sempre acompanhado da palavra gênio.

Aqui no blog já analisei uma música dele (Heroes), li um livro sobre suas músicas, e sempre digo que ele deveria constar em todas as trilhas sonoras de filmes. Pode procurar que sempre vai ter uma música do Bowie para a ocasião.

Ele está em todas as minhas playlists (as de corrida e de músicas para escutar no carro).

Se tenho uma música favorita? Não consigo escolher. Bowie anos 1970 é sensacional e essencial (foi sua fase mais produtiva), mas minha memória afetiva das músicas dele é dos anos 1980 - Let's Dance, Modern Love, China Girl, Under Pressure, Cat People, e Absolute Beginners.

David Bowie inspirou muitos artistas (visualmente e musicalmente) e muitas pessoas. Certamente é uma unanimidade. Todos adoram Bowie.

(e quem não conhece trata logo de pegar a discografia completa!)

Tchau Bowie, vai tranquilo nesse disco voador.


(esse gif fantástico é da Helen Green)

10.1.16

Analisando a música: You Oughta Know (Alanis Morissette)

Feliz ano novo gente! Para começar o ano teremos um post do tema mais querido dos leitores do blog.

Essa semana saiu uma notícia que a Alanis Morissette vai ter uma coluna de conselhos no jornal britânico The Guardian.

Aí eu lembrei de uma viagem que fiz com minha prima pelos EUA em 1996. Essa prima, que na época do tinha uns 13 anos, era über fã da Alanis Morissette, estava com Jagged Little Pill na mão o tempo todo, e tudo que escutei nessa viagem foi foi Ironic, Head Over Feet, All I Really Want, You Learn, Hand in My Pocket, Mary Jane e a analisada da vez You Oughta Know. Praticamente uma lavagem cerebral para eu gostar dessas músicas. E funcionou.

A Alanis Morissette é canadense, mesmo país que nos deu ótimos músicos como: Neil Young, Arcade Fire, KD Lang, Diana Krall, Rufus Wainwright e Joni Mitchell. (Também nos deu Celine Dion, Avril Lavigne, Justin Bieber e Michael Bublé, mas como não curto prefiro ignorar).

No começo da carreira a Alanis lançou dois albuns de pop-dance que, pelo jeito, não renderam muito. Aí ela foi para Los Angeles, se juntou com o Glen Ballard (que também escreveu algumas músicas do Michael Jackson), abraçou o rock n'roll e o resto é história.

Jagged Little Pill ganhou 2 Grammys (Album do Ano e Melhor Album de Rock) e certamente está na minha lista de albuns que gosto de escutar de ponta a ponta.

Cheguei a acompanhar os dois albuns seguintes da Alanis (inclusive a fase zen-na-India) mas depois deixei para lá. (Acho que minha prima ainda é fã).

Jagged Little Pill fez 20 anos em 2015 e quem escutou esse album inúmeras vezes sabe que ninguém melhor do que a Alanis para dar conselhos do coração (You Learn é o melhor exemplo - "I recommend biting off more than you can chew to anyone... You live, you learn...").

Então vamos saber o que diz You Oughta Know.

Essa música é a segunda do album, vem logo depois da ótima All I Really Want, e já mostra ao que veio. A Alanis compôs essa música para um ex-namorado e todos sabemos que dor de cotovelo rende ótimas músicas e albuns inteiros (né, Adele?). Esse album produziu alguns hits, acontece que You Oughta Know não era para ser um deles, pelo menos não intencionalmente, mas Alanis chegou na radio americana com tudo, jogou o rock alternativo na cara do R&B da época (Mariah e cia) e veio cheio de girl power.

Essa música fez sucesso porque: 1) pessoas se identificam e 2) é cheia de sentimento, principalmente raiva, e nada melhor do que uma música para cantar junto, socar tudo e colocar raiva para fora.

Tem baixaria? Claro. É uma música barraco, então é baixaria poética.

(essa música entrou no meu top 5 músicas de fossa)

I want you to know
That I'm happy for you
I wish nothing but the best for you both

Ela começa essa música fofa, educada, suave. Diz que está feliz por ele e que só deseja o melhor para ele e sua nova namorada. Aham, sei.

An older version of me
Is she perverted like me
Would she go down on you in a theatre
Does she speak eloquently
And would she have you baby
I'm sure she'd make a really excellent mother

Aí ela não se segura, sabe que foi trocada por uma mulher mais velha e vai logo fazendo perguntas diretas cheias de sarcasmo (adoro): "Ela é pervertida como eu? Ela te pagaria um boquete num teatro/cinema? Ela é eloquente? Ela teria um filho seu? Tenho certeza que ela será boa mãe." PAH!

'Cause the love that you gave that we made
Wasn't able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know you told me you'd hold me 
Until you died, 'til you died
But you're still alive

"Porque, querido, aparentemente o amor que você deu e que fizemos não foi o suficiente para você se abrir." Eita. "E vem cá, fofo, ela sabe que você disse que ficaria comigo até você morrer?? Hein??". Mas ele ainda está vivo.

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know

O refrão cheio de sentimento. O rock entra pesado nessa parte porque tem que ser uma cacetada para que o carinha lembre de toda besteira que fez, bagunça que deixou quando foi embora e a cruz que ela ainda carrega. PAH PAH PAH!
Dave Navarro (do Jane's Addiction) e Flea (do Red Hot Chilli Peppers) tocaram guitarra e baixo respectivamente nessa música.

You seem very well
Things look peaceful
I'm not quite as well, I thought you should know

Ela se acalma (mas nem tanto) e diz que ele parece bem, em paz, MAS que ele deveria saber que ela não está tão bem assim.

Did you forget about me Mr. Duplicity
I hate to bug you in the middle of dinner
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her

E vem com força falando verdades: "Esqueceu de mim Sr. Falsidade?? Desculpa estragar seu jantar mas a rapidez com a qual você me substituiu foi um tapa na cara. E, vem cá, você pensa em mim quando transa com ela?".

'Cause the love that you gave that we made
Wasn't able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know you told me you'd hold me 
Until you died, 'til you died
But you're still alive

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know

Aí ela repete essa parte e o refrão porque a gente precisa balançar a cabeça, gritar e socar algumas almofadas.

'Cause the joke that you laid in bed that was me
And I'm not gonna fade
As soon as you close your eyes and you know it
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it, well can you feel it?

A música dá uma aliviada como se ela estivesse pensando se é isso mesmo que ela quer dizer ou um tempinho para respirar antes do golpe final. E ela resolve ativar o modo revenge: "Você achou que eu era uma piada mas assim que você fechar os olhos não vou sumir tão fácil. E TODA vez que eu enfiar minhas unhas nas costas de outro carinha espero que você sinta. Está sentindo?" PAH!

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know

"Só estou aqui para te lembrar que você fez merda e não pode negar essa cruz que ainda carrego." Voce precisa saber!
(Mas estou colocando a raiva para fora e vou te esquecer já já, depois de arranhar algumas costas alheias).


E no video temos Alanis gritando no meio do deserto, balançando muito a cabeça e trocando de roupa várias vezes.




Essa música é ótima para correr. 

29.12.15

Momento TOC Livros (9)

Esse ano não consegui passar dos 17 livros. Fiquei abaixo da média dos últimos anos (20 livros) mas vou manter a meta de 25 livros para o ano que vem. Um dia eu consigo. Então vamos a lista de 2015.

- To Rise Again At a Decent Hour - Joshua Ferris - Esse livro foi indicado a alguns prêmios (Man Booker era um deles) e estava em várias listas de indicações de leitura. É sobre um dentista, Paul, que tem sua vida hackeada. Alguém cria um website, twitter e facebook falsos, e essa pessoa sabe muito da vida do Paul. Acontece que começam aparecer alguns posts anti-semitas em nome do Paul (que é ateu), ele fica preocupado e decide investigar e tentar achar o hacker. O Paul é um chato. Pronto falei. O hacker tem uma história interessante.

- Quem Vai Ficar Com Morrissey - Leandro Leal - Eu gosto do vocalista do The Smiths e comprei esse livro pelo título. O livro é sobre o Fernando, um jornalista arrogante, condescendente, depressivo (mas não de fato) e infantil. Ele acha que as mulheres com as quais ele se relaciona tem que gostar das mesmas coisas que ele e se não gosta ele tenta doutriná-las. Ele é dessas pessoas que quando coisas acontecem ele escuta uma música para ocasião (nem que seja mentalmente), e é aí que entram as músicas do The Smiths (e outras). Um dia ele se apaixona, leva um fora, a história não fica melhor e o Fernando cada vez mais insuportável.

- How To Build a Girl - Caitlin Moran - É um livro sobre adolescência, mas bem realista e já começa chocando. Johanna é uma inglesa de 14 anos (o livro vai até os 18 anos dela) que é gordinha, mora numa cidade pequena, sua família (grande) é pobre (e depende de auxílios do governo). Ela gosta de escrever e até ganha um concurso de poesias mas depois de um episódio humilhante na tv ela cria uma persona, Dolly White, que gosta de música e é meio gótica. Johanna compra revistas e discos e começa escrever sobre música e bandas. Ela consegue um emprego numa revista maior e sua vida fica interessante.

- A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - Joel Dicker- Um livro sobre um escritor escrevendo um livro sobre outro escritor. Um tapa de metalinguagem. Marcus é um escritor medíocre que vai atras de seu professor da faculdade, Harry (que é escritor de sucesso) para ajudá-lo. Acontece que o Harry estava sendo preso porque acharam um corpo no jardim dele. O Marcus decide investigar e escrever um livro sobre a história. Achei divertido. (a capa da edição nacional é bonita)

- The Anatomy of Dreams - Chloe Benjamin- Esse é sobre dois pesquisadores de sono e sonhos. Sylvia e Gabe se conhecem no high school, mas o Gabe some e só reaparece no penultimo ano da faculdade dela. Ele a convence a largar tudo e seguir um  professor que está fazendo uma pesquisa em pessoas que tem problema com sono. Tem uns twists interessantes, mas as vezes é confuso.

- Funny Girl - Nick Hornby - tem post.

- Sweetness #9 - Erik Clark - daqueles livros de ficção que estão muito perto da realidade. Tem post.

- Beautiful You - Chuck Palahniuk- versão do Chuck para 50 tons de cinza e ficou bom. Tem post.

- In The Unlikely Event - Judy Blume - Já disse que a Judy Blume é uma das minhas autoras favoritas (especialmente na fase pré-adolescente), as vezes ela escreve livros para adultos como o Summer Sisters que li ano passado. Esse é sobre a queda de não um, mas três aviões numa pequena cidade de New Jersey (entre 1951 e 1952) e como esses acidentes afetaram as vidas das pessoas (e cidade). Os persongens são fictícios, mas as quedas dos aviões foram reais. (Claro que a personagem central é uma adolescente, afinal é o que a Judy escreve de melhor)

- David Bowie e os Anos 70 - O Homem que Vendeu o Mundo - Peter Doggett - um livro sobre a fase mais produtiva do David Bowie. A história do rock star (e gênio) é contada em poucos capítulos e a maior parte do livro é uma espécie de análise das músicas dessa época uma por uma. Par ler escutando Bowie.

- Mirtes Ainda Vive - Daniela Abade - Sigo a Daniela Abade no twitter e fiquei curiosa para saber porque a Mirtes ainda vive. É um livro sobre uma road trip de duas senhoras idosas (afinal a Mirtes tem 89 anos) e o neto com síndrome de down. A Mirtes, assim como o João de Santo Cristo, só queria ir a Brasília falar com o presidente. A aventura das tias é boa, a narrativa é variada (tem umas cartas da filha no meio) mas achei o fim meio abrupto (queria saber um pouquinho mais).

- The Girl On The Train - Paula Hawkins - A Rachel foi traída pelo marido, é uma alcoolatra, está morando de favor com uma amiga, está desempregada e todo dia pega um trem (para dizer que está indo trabalhar) que passa pela casa onde ela morou com o marido (e ele agora mora com a nova esposa e filho). Ela tem uma fantasia com o casal da casa vizinha (acha que são perfeitos) que ela observa pelo trem até que um dia ela vê a esposa com outro homem. E aí segue uma história de mistério e muitas quedas por bebedeira. Divertido.

- Cordilheira - Daniel Galera - Gostei de Barba Ensopada de Sangue e decidi ler esse livro que o Daniel Galera escreveu antes. É sobre Anita, orfã (mãe morreu no parto, pai num acidente de carro anos depois), escritora (escritores adoram escrever sobre escritores né?), que ser mãe. Acontece que seu namorado não está a fim e terminam. Ela tem um grupo de amigas (estilo Sex and The City) mas 2 delas tentam suicídio e a Anita vai para Argentina divulgar seu livro e conhece um homem. É bem escrito mas achei o fim um pouco corrido (assim como o Barba).

- All The Light We Cannot See - Anthony Doerr - Esse livro venceu o Pulitzer de 2015. É sobre uma garota francesa e um rapaz alemão um pouco antes e durante a segunda guerra. É um livro sobre destino e caminhos que se cruzam. A história é boa, os personagens interessantes, foi uma leitura agradável mas eu só queria que terminasse logo.

- O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe - esse livro estava aqui em casa e peguei para ler. Conta a história de algumas pessoas que moram numa vila e como estão interligadas. É bom, curto, mas a prosa as vezes é puro sonífero.

- NW - Zadie Smith - Esse livro estava na minha wishlist da Amazon há uns 3 anos e finalmente peguei para ler. A história é sobre 4 pessoas que moram no noroeste de Londres (bairros onde a maioria é de imigrantes caribenhos, africanos e alguns irlandeses, que vivem em conjuntos habitacionais). Lea e Natalie são amigas desde sempre, uma virou meio hippie e a outra advogada de sucesso (mas voltou para morar na fronteira do bairro). Felix aparece no meio do livro para uma contribuição trágica e tem o drogado Nathan. O livro tem vários tipos de narrativas (tem um capítulo que os paragrafos seguem uma numeração.). Ler esse livro foi como pegar o mesmo ônibus todo dia, escutar uma conversa alheia das mesmas pessoas e ter que juntar os pedaços para fazer sentido e a conclusão ser sem graça. Não curti, devia ter acreditado nos comentários da Amazon e do Goodreads.

- Tony and Susan - Austin Wright - um livro de 1993 que voltou a tona porque o próximo filme do Tom Ford (com Jake Gyllenhaal) vai ser baseado nele. É a história de Susan que recebe o livro Nocturnal Animals que seu ex-marido escreveu para ler e criticar. Tony é um personagem do livro do ex-marido que no meio de uma viagem com a esposa e a filha ele é abordado por elementos criminosos. O leitor vai lendo o livro junto com a Susan e ainda fica sabendo dos babados da vida dela. Achei bom, o Nocturnal Animals prende a atenção.


Os momentos TOC Livros anteriores:  (1)(2), (3)(4), (5)(6), (7) e (8)

27.12.15

+Filmes

The Revenant

Leo DiCaprio faz uma espécie de consultor de caça ou de como andar nas terras frias e fugir dos índios para um oficial e seu grupo. Um dia eles são atacados por um grupo de índios e tem que fugir. No meio da fuga o Leo é atacado por um urso.

Gente, queria dizer que o tubarão de Jaws é um fofo perto desse urso.

Leo fica mal, os colegas o carregam mas chega num ponto que fica difícil e eles tem que decidir deixar o Leo lá para morrer. O capitão diz para 3 homens ficarem (um deles é filho do Leo) cuidando dele e no fim dar um enterro decente.

O Tom Hardy acha tudo uma perda de tempo e recursos, decide acelerar o destino do Leo e o deixa lá numa cova.

Acontece que o que o Tom Hardy não sabe é que o Leo só morreu no naufrágio do Titanic porque a Rose não quis dividir a tábua com ele.

Com Leo DiCaprio não se brinca.

A fotografia desse filme é es-pe-ta-cu-lar. É um filme com mais de duas horas e pouquíssimos diálogos que passa rápido. A direção é ágil. Leo DiCaprio está ótimo e merece levar o Oscar se for indicado.

A Tia Helo não ia aguentar. Muito sangue na neve. 528 "Ai, Jesus!" para Leo e seu amigo urso.


Sicario

Um filme sobre a guerra contra as drogas na fronteira dos EUA com México. Ou quase isso.

Depois de descobrir uma casa com paredes revestidas de cadáveres (esse pessoal do cartel é criativo na construção civil) uma agente do FBI, Kate, é escolhida para acompanhar uma missão não muito oficial de perseguição a um dos lideres do cartel.

Ela vai com o Benicio Del Toro e o Josh Brolin atrás da galera que opera na fronteira (as vezes mais do lado do México) e aprende que o buraco do túnel é mais embaixo.

Toda vez que vejo algum filme ou série (como Narcos) sobre drogas fico impressionada com as quantidades traficadas e como os chefões ficam ricos. Tento imaginar a quantidade de narizes que cheira cocaína pelo mundo e me recuso a acreditar numa quantidade tão grande. No filme o personagem do Josh Brolin diz que é 20% da população (acho que dos EUA). É muita gente. Essa guerra não vai acabar nunca.

A Tia Helo ia ficar passada. 725 "Ai, Jesus!" com o tanto de pacotes que cabem na mala do carro.

Room

Uma adolescente foi raptada e colocada num quartinho no quintal de uma casa. Lá ela teve um filho do seu captor e quando o menino faz 5 anos ela decide que basta.

Um filme sobre ficar enclausurado num espaço pequeno. A mercê de um agressor estuprador. A vida num quarto.

É um tema pesado contado a partir da visão da criança que deixa o filme com uma certa leveza.

Achei esse filme muito bom. A Tia Helô que já tem um certo medo "deles" não ia curtir o clima meio claustrofóbico, 250 "Ai, Jesus!" para o Jack dormindo no armário.


Brooklyn

Depois de três filme pesados, um leve.

A Eillis é uma irlandesa que, com a falta de emprego na Irlanda, vai para os EUA trabalhar. Chegando no Brooklyn ela mora numa pensão para moças e trabalha numa loja de departamentos. Ela tem muita saudades de casa. Bem, até o dia que ela conhece um italiano sangue bom.
Um dia ela tem que voltar para a Irlanda e aí fica dividida.

Gostei desse filme, é leve e é fofo.

A Tia Helô iria adorar esse filme, tem boa moça católica irlandesa. Só 4 "Ai, Jesus!" para o pessoal do Brooklyn (na década de 1950, porque para os hipsters de hoje seria muito mais).

25.12.15

+Filmes

Três filmes recentes com cenas de natal.

Carol

Um filme sobre duas mulheres que se apaixonam. Carol é mais velha, experiente, casada e com uma filha. Therese ainda está descobrindo as coisas mas é só a Carol propor qualquer coisa que ela aceita.
Acontece que as duas estão nos anos 1950 e o relacionamento homossexual era visto como "pessoas daquele jeito". Então a Carol tem que enfrentar um marido que não quer o divórcio.

Nada acontece nesse filme, não tem grandes conflitos, nem dúvidas. É lento, a Carol da Cate Blanchett é um pouco afetada, a Rooney Mara como Therese é mais interessante (mas ainda assim é chatinha) e só gostei da reconstituição de época.

(Os críticos estão considerando esse um dos melhores filmes do ano. Não entra no meu top 5. Mad Max: Fury Road ainda é o melhor filme que vi esse ano.)

A Tia Helô ia dormir nos primeiros minutos desse filme, mas se ficasse acordada diria uns 200 "Ai, Jesus!"


Joy

A Joy tem uma vida difícil. Os pais se separaram, a mãe só quer ficar na cama vendo novelas, seu ex-marido ainda mora no porão da casa, seu pai volta para morar em casa e ela tem 2 filhos. A Joy gosta de inventar coisas e um dia ela tem uma ótima idéia.

Joy inventa um esfregão cheio de truque que facilita a vida da dona de casa, mas sua família mais atrapalha do que ajuda até o dia que ela decide tomar as rédeas da vida. You go girl!

Achei esse filme bom (a Joy é bem mais interessante que a Carol) e tem o Bradley Cooper.

A Tia Helo ia gosta da Joy. 53"Ai, Jesus!" para as falcatruas do pai dela.


Spotlight

Um filme sobre os jornalistas do Boston Globe que desvendaram o escandalo dos padres pedófilos e como a arquidiocese local acobertava tudo colocando a Igreja Católica como um todo numa sinuca.

Eu gosto de filmes sobre jornalistas, esse é muito bom e me lembrou outro ótimo: Todos os Homens do Presidente com o Robert Redford e Dustin Hoffman.

E tem o Mark Ruffalo. I rest my case.

A Tia Helo ia não ia gostar desse filme. 275 "Ai, Jesus!" cada vez que a lista dos padres safados aumentava.


18.12.15

Star Wars: O Despertar da Força

Quando fui morar nos EUA, ainda criança, tinham lançado o primeiro filme, Star Wars**, no ano anterior. Eu só vi depois na tv e comprei os bonecos da Princesa Leia e Luke Skywalker.

** A New Hope foi o título dado depois.

O Império Contra-ataca, que para mim (e 99,9% dos geeks e nerds), é o melhor filme da série disparado e um dos melhores plot twists ever, vi no cinema. Adoro.

O Retorno do Jedi também vi no cinema e gostei, tem cenas de ação ótimas mas aqueles ewoks...não George Lucas, apenas não.

Aí muitos anos depois vieram os filmes que seriam prequels de Star Wars. Comprei ingresso antecipado para ver o primeiro, A Ameaça Fantasma, e confesso que foi uma decepção. Em uma palavra: Jar Jar Binks. WTF George Lucas?? Os dois seguintes, O Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, são um pouco melhores (tem yoda lutando, tem a formação do exercito dos Stormtroopers, tem senador mauzão, Anakin pirando na batatinha, Obi Wan sendo Obi Wan, Darth Vader surgindo, etc) mas os diálogos são tão ruins, mas tão ruins, que deixam algumas cenas sérias muito engraçadas (ou vergonha alheia).

Para piorar o George Lucas fez algumas mudanças desnecessárias nos filmes originais. E a Disney (argh) agora é dona de tudo.

Confesso que fiquei um pouco apreensiva com essa nova leva que vem aí mas o J J Abrams é mega fã da série, fez um reboot ótimo da série do Star Trek e achei que ele ia fazer um bom trabalho. Sem contar que boa parte do elenco original ia estar de volta. E George Lucas se afastou.

(Para quem quiser saber minha ordem dos filmes de melhor para pior: Império Contra-Ataca, Guerra nas Estrelas- o primeiro, Retorno do Jedi, A Vingança dos Sith, Ataque dos Clones e Ameaça Fantasma)

Comprei o ingresso antecipado para O Despertar da Força e fui com os amigos geeks do dia da estréia (ontem).

Detalhe: fui ver esse filme sem saber de nada. Não tinha visto nenhum trailer (e foi difícil evitar spoilers).

O filme é ótimo!! A história do filme é: o Luke Skywalker está meio que perdido/escondido e o pessoal da resistência está atrás dele. Quem está aterrorizando a galaxia far far away é a First Order, que é um Império reloaded e eles também querem saber onde está o Luke. E aí muitos tiros, naves voando, sabres de luz, robôs, festa estranha com gente esquisita, lado negro da força, jedis, etc.

Tem tudo: todas as referências aos filmes anteriores estão lá, o android novo BB8 é uma delícia (mas ainda tchiamo R2D2), Rey é maravilhosa, Finn tem coração, e o Adam Driver está de parabéns por seu Kylo Ren. Han Solo, Chewie e Leia are back! E só peço para que o Poe (Oscar Isaac) tenha mais espaço no próximo filme.

Para quem é fã da série foi um certo alívio ver que, além de dar tudo certo, ficou lindo. Um beijo para o J J Abrams, may the Force be with you.

A Tia Helo provavelmente ia revirar os olhos para aquelas armas a laser mas talvez ela tivesse um pouco de pena dos Stormtroopers. 352 "Ai, Jesus!" para a força despertada.

Agora vamos torrar o din din em merchandising.


13.12.15

+Séries

The Leftovers - a primeira temporada foi boa e até bem fiel ao livro, a segunda veio como uma surpresa já que o livro foi todo coberto na primeira. E que segunda temporada excelente. O policial Kevin e sua família foram para Jarden a única cidade que não perdeu ninguém no dia do departure. Acontece que essa cidadezinha é cheia de regras para entrar e sair e muita gente esquisita. As pessoas de Jarden podem não ter sumido mas muita coisa estranha acontece por lá. Justin Theroux foi impecável nessa temporada (e que shirtless digno!).

Fargo - que segunda temporada impecável! Das atuações a trilha sonora. Dessa vez a história se passa em 1979 quando ocorreu o massacre de Sioux Falls. Os personagens são ótimos, dos principais aos coadjuvantes (e alguns estavam na primeira temporada). Muitas referências ao filme Fargo e a outros filmes dos irmãos Coen, e até Albert Camus. Merece todos os prêmios que foi indicada.

Jessica Jones - série da Netflix sobre a heroina da Marvel. A Jessica Jones é uma detetive particular que tem alguns poderes (extremamente forte e consegue dar uns saltos incríveis) devido um acidente que matou seus pais. No passado ela foi dominada por um vilão, o Kilgrave, que tem o poder telepático de mandar as pessoas fazerem o que ele quer, e isso é assustador. O Kilgrave voltou a tona e Jessica conta com ajuda de sua amiga/irmã e de sua advogada para dar um basta no vilão. É uma série girl power e muito boa.

Master of None - o Aziz Ansari de Parks & Rec é o dono dessa série que lembra um pouco Seinfeld mas sem tanto cinismo. É engraçada. (Também da Netflix)

The Knick - essa segunda temporada foi muito boa. Ver o que acontece num hospital (e na Nova York de 1905) quando ainda não tinha nem antibióticos é no mínimo curioso. Essa segunda temporada vimos o Dr. Thackery sair do vício da cocaína (e heroína por tabela) e voltar a fazer cirurgias. Ainda tem todo o embroglio da construção do novo hospital e um surto de peste (não lembro qual) que vem junto com os imigrantes. Se passa no início do século 20 mas é moderna e atual. A trilha sonora eletrônica continua fantástica!


10.12.15

Crossfit

Gosto de fazer exercícios e praticar esportes, mas detesto musculação. Piora ainda mais quando a maioria das academias perto de casa tem ar condicionado, e malhar no ar condicionado para mim é péssimo.

Desde que fiz um mês de musculação em 2014 não fiz mais exercícios de força (ou com carga), só estava correndo, pedalando e um pilates ocasional. O fato é que preciso fazer exercícios de força até para melhorar o desempenho na corrida, e depois de uma certa idade é bom fortalecer os músculos.

Então, não aguentava mais musculação e fui ver qual era a do Crossfit. Já fiz funcional, mas queria uma coisa diferente.

A única coisa que eu sabia do Crossfit é que seus praticantes são uns fanáticos que ficam postando fotos no instagram com frases motivacionais. Depois de uma rápida pesquisa descobri que era uma sequencia de exercícios com base no treino do levantamento de peso - aquele olímpico. Fui ver qual era.

O lugar é um galpão bem arejado, zero ar condicionado, ótimo. A sequencia dos exercícios é a mesma para todos, mas cada um faz na sua capacidade. Inclusive substituem algum exercício que não possa fazer (eu não faço avanços). O segredo é exatamente esse: saber qual o seu limite e não cair na ladainha de "superar os limites". Óbvio que você vai melhorando a resistência e força ao longo do tempo mas tem o momento certo de aumentar a carga ou as repetições.

Tem os que encaram o Crossfit como competição? Sim. Existe competição oficial (meio sem graça de assistir, na minha opinião), mas estou falando daqueles que querem ser os bam bam bans da academia. Tem quem fica postando fotos no Instagram? Sim. Tem os caras que tiram a camisa? Sim (mas poucos shirtless dignos até agora). Tem mulher que levanta peso mais do que os homens? Sim! (girl power)

Achei uma forma divertida de fazer os exercícios de força, em uma hora consigo fazer mais do que se estivesse na musculação. Mas vou contar para vocês que nunca fiz tantos agachamentos na vida.

8.12.15

+ Filmes

A Visita

O M. Night Shayamalan está em baixa depois das últimas duas porcarias que ele colocou no cinema (The Happening - WTF? e The Airbender - nem vi), mas como ele é o diretor de Unbreakable, Sexto Sentido e Sinais resolvi dar mas essa chance para ele.

E valeu a pena.

É sobre dois irmãos (uma menina de 15 anos e um garoto de 12/13) que vão ficar com os avós maternos por uma semana. Acontece que eles nunca viram nem falaram com esses avós porque a mãe saiu de casa muito nova (fugiu com um cara mais velho). Rolou algo brabo entre a mãe e seus pais que fez com que ela nunca mais falasse com eles.

Mais do que isso não conto.

Ah, sim, e filmado com camera na mão. As vezes parece um filme feito no snapchat, mas ficou interessante. O garoto do filme é ótimo. Ok, parei.

A Tia Helo diria 514 "Ai, Jesus!" antes de desmaiar de susto.


No Coração do Mar

Um filme sobre como Herman Melville teve a idéia para escrever Moby Dick. Herman, um jovem escritor de sucesso, vai papear com o último sobrevivente do Essex, um barco baleeiro.

O Essex saiu de Nantucket com a tripulação disposta a voltar com 2000 barris de óleo de baleia (o combustível da época). E comandando o barco estava o capitão George Pollard e o Owen Chase (baleeiro experiente que achava que ia ser capitão mas deram o posto para o filho do dono do navio, classic.) - rivalidade detected.

O barco segue em busca das baleias mas a coisa não está fácil, até que ficam sabendo de um monte de baleias no Pacífico. Eles são avisados do monstro marinho mas acham que é história de pescador e vão até lá tentar garantir os barris de óleo.

Bem, a gente aprendeu com Jaws que com criaturas marinhas não se brinca, ainda mais quando elas tem mais de 30 metros.

Gostei do filme, achei bem feito e o Chris Hemsworth (Thor e leitinho australiano de primeira!) sempre vale o ingresso. Acharam um ator tão alto quanto ele para fazer o Capitão Pollard (e bonitão também).

A baleia arrasa.

A Tia Helô ia ficar tensa vendo aqueles homens todos tentando pegar baleias. 267 "Ai, Jesus!" Para Capitão Pollard e seus marujos.

30.11.15

Analisando a música: You've Got Time (Regina Spektor)

A Renata pediu para analisar essa música e sempre tento atender os leitores. :)

Regina Spektor é uma cantora e compositora russa (filha de uma professora de música e um violinista amador) que foi morar com a família nos EUA com 9 anos de idade. Regina estudou piano clássico mas depois se interessou por outros ritmos (inclusive punk). E as músicas dela (as que conheço) tem um pouco de tudo: folk, jazz, clássica e rock. A wikipedia diz que ela é anti-folk (oi?), indie folk, indie pop, jazz e barroco (!), ou seja, vale tudo.

A primeira música que escutei foi Us na ótima trilha sonora de (500) Dias com Ela. Não conheço bem a discografia dela, mas tem algumas músicas que gosto.

Regina Spektor já abriu show de bandas como: The Strokes, Kings of Leon e Keane.

You've Got Time (que eu coloco na categoria rock) foi composta para a série Orange is The New Black, da Netflix. A série é sobre a Piper, que vai presa depois de ser condenada a 15 meses por ter se envolvido no transporte de uma mala de doletas proveniente do trafico de drogas. A vida como ela é numa prisão feminina. A primeira temporada é muito boa, gostei. Desisti na metade da segunda temporada, já teve terceira e vai ter quarta.

Então vamos saber o que diz You've Got Time.

The animals, the animals
Trapped, trapped, trapped 'til the cage is full
The cage is full
Stay awake
In the dark, count mistakes
The light was off but now it's on
Searching the ground for a bitter song
The sun is out, the day is new
And everyone is waiting, waiting on you
And you've got time

A Regina Spektor foi convidada pela criadora da série para compor a música de abertura. A Regina teve acesso a alguns episódios não editados e disse que compôs a música imaginando como seria estar presa e o estado de espírito das pessoas lá dentro.
Então os animais estão presos na jaula, e a jaula está lotada (isso porque a Regina Spektor nunca viu uma prisão brasileira). E quem dorme tranquilo na prisão? Como não dá para contar carneirinhos é melhor rever os erros. Sem contar que a prisão tem toda uma dinâmica social própria.
A vida na prisão é rotineira, limitada, sempre a mesma coisa, tempo não falta. E tem as pessoas do lado de fora que estão esperando (no caso da Piper é o noivo).
Mas vamos combinar que as pessoas do lado de fora não ficam sentadas esperando, a vida segue.

Think of all the roads
Think of all their crossings
Taking steps is easy
Standing still is hard
Remember all their faces
Remember all their voices
Everything is different
The second time around

Essa parte da música é mais calma, sem a batida forte do início. O tempo na prisão serve para refletir então dá para pensar em muitas coisas principalmente nos erros, nos caminhos e cruzamentos que levaram a essa situação. Ficar parada é difícil (e enclausurada).
Quando ela fala em lembrar dos rostos e vozes acho que é tanto das pessoas que estão fora esperando quanto das que estão lá dentro. Na série não é só a história da Piper que é contada, tem várias coadjuvantes ótimas.
E saber que tudo é diferente na segunda vez (tanto quando sai ou quando volta para prisão - porque isso é comum.)
Nunca fui presa (toc toc toc bate na madeira) mas visitei Alcatraz e lá davam uns fones de ouvido com os presos relatando suas experiências. Só queria sair correndo (no caso, nadando) de lá, imagina quem ficou preso.

The animals, the animals
Trapped, trapped, trapped 'til the cage is full
The cage is full
Stay awake
In the dark, count mistakes
The light was off but now it's on
Searching the ground for a bitter song
The sun is out, the day is new
And everyone is waiting, waiting on you
And you've got time

Volta a ótima batida. A música é uma referência direta a vida na prisão mas numa interpretação mais ampla pode ser sobre a frustração de estar presa/parada numa fase da vida que não anda.


Não tem video oficial porque foi para abertura da série, mas na abertura não toca a música inteira, então aqui vai um video-audio.




A ótima abertura da série é essa.